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Implanon no SUS: entenda o novo contraceptivo gratuito e os impactos na saúde pública

Implanon no SUS amplia o acesso a contraceptivos de longa duração, mas especialistas alertam para desafios na distribuição e acesso ao método no país  |  Foto: Reprodução/ Gov.br

Publicado em 27/03/2026, às 13h00   Foto: Reprodução/ Gov.br   Nathalia Quiereguini

O implante contraceptivo hormonal conhecido como Implanon começou a ganhar espaço no Sistema Único de Saúde (SUS) e representa uma das principais mudanças recentes nas políticas públicas de planejamento reprodutivo no Brasil.

Considerado um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia, o dispositivo passou a integrar oficialmente as opções oferecidas pela rede pública após avaliação técnica do governo federal.

A decisão foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), órgão responsável por analisar evidências científicas, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário antes da inclusão de novas tecnologias no sistema público.

A incorporação do implante subdérmico de etonogestrel foi formalizada por meio de portaria publicada pelo Ministério da Saúde em 2025, que autorizou a ampliação gradual da oferta do método contraceptivo na rede pública.

Segundo o governo federal, a medida busca ampliar o acesso ao planejamento reprodutivo e reduzir o número de gestações não planejadas, especialmente entre mulheres em situação de maior vulnerabilidade social.

Implanon passa a ser oferecido pelo SUS como método contraceptivo de longa duração / Foto: Reprodução/Facebook

Como funciona o Implanon

O Implanon pertence ao grupo dos contraceptivos reversíveis de longa duração, conhecidos internacionalmente como LARC (Long Acting Reversible Contraceptives).

Esses métodos são considerados altamente eficazes porque não dependem do uso diário nem da lembrança da paciente, como ocorre com as pílulas anticoncepcionais.

Segundo informações do Ministério da Saúde, o implante possui eficácia superior a 99% na prevenção da gravidez, índice comparável aos métodos contraceptivos mais seguros disponíveis atualmente.

O dispositivo é uma pequena haste flexível, com cerca de quatro centímetros de comprimento. Ele é inserido sob a pele do braço por meio de um procedimento simples, realizado com anestesia local por profissionais de saúde capacitados.

Após a inserção, o implante libera gradualmente o hormônio etonogestrel, responsável por impedir a ovulação.

O efeito contraceptivo pode durar até três anos, sem necessidade de manutenção ou uso diário.

Segundo orientações do Ministério da Saúde, após esse período, o implante deve ser removido. Caso a paciente deseje continuar utilizando o método, um novo dispositivo pode ser inserido imediatamente.

A fertilidade costuma retornar rapidamente após a retirada do implante.

Distribuição nacional e metas do governo

A incorporação do implante hormonal ao SUS faz parte de uma estratégia nacional voltada à ampliação do acesso ao planejamento reprodutivo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o governo federal estabeleceu a meta de distribuir cerca de 1,8 milhão de implantes contraceptivos até o fim de 2026 em todo o país.

A primeira fase da implementação começou em 2025, quando aproximadamente 500 mil unidades passaram a ser distribuídas para estados e municípios.

O investimento estimado para a aquisição dos dispositivos é de cerca de R$ 245 milhões, valor financiado pelo orçamento federal destinado às políticas de saúde da mulher.

Na rede privada, o implante hormonal pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, dependendo da clínica e da região do país. Esse valor historicamente limitava o acesso ao método a uma parcela menor da população.

Com a inclusão do dispositivo no SUS, o governo busca reduzir desigualdades no acesso à contracepção de longa duração.

Quem pode usar o implante contraceptivo

De acordo com diretrizes do Ministério da Saúde, o implante hormonal pode ser utilizado por mulheres em idade fértil que desejam evitar a gravidez por um período prolongado.

Segundo protocolos clínicos do SUS, o método pode ser indicado para mulheres entre 14 e 49 anos, desde que não existam contraindicações médicas.

O governo federal também definiu prioridades iniciais para determinados grupos, como:

A estratégia leva em conta dados epidemiológicos que apontam a gravidez não planejada como um desafio importante na saúde pública brasileira.

Segundo especialistas em saúde reprodutiva, métodos contraceptivos de longa duração têm potencial para reduzir essas taxas, justamente por apresentarem menor índice de falhas no uso.

Capacitação de profissionais de saúde é essencial para ampliar o acesso ao Implanon no SUS / Foto: Ascom Prefeitura/Andrew Aragão

Capacitação de profissionais de saúde

A implementação do Implanon no SUS também exige a capacitação de profissionais da rede pública.

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 2 mil profissionais devem ser treinados em todo o país para realizar a inserção e retirada do implante contraceptivo.

Os treinamentos incluem aulas teóricas, prática supervisionada e orientações sobre aconselhamento reprodutivo às pacientes.

Além disso, kits de treinamento foram distribuídos para unidades de saúde com o objetivo de padronizar os procedimentos em todo o país.

Desigualdade regional ainda é desafio

Apesar da expansão da política pública, especialistas apontam que o acesso ao implante contraceptivo ainda pode variar entre diferentes regiões do Brasil.

Isso ocorre porque a implementação depende da estrutura das redes municipais e estaduais de saúde, responsáveis pela oferta do método nas unidades básicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná indicam que a procura pelo implante contraceptivo no SUS teve crescimento significativo nos últimos anos.

Segundo levantamento do órgão, houve aumento de 118% na demanda pelo método entre 2024 e 2025 no estado.

Especialistas afirmam que o crescimento da procura está relacionado ao maior conhecimento da população sobre o método e à ampliação da oferta nas unidades de saúde.

Ainda assim, a desigualdade regional na disponibilidade de profissionais capacitados e de dispositivos pode impactar o acesso em determinadas localidades.

Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

O Implanon passou a integrar a lista de métodos contraceptivos já disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSUSContraceptivoImplanonImpactoImplanon no SUS

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