Política
Publicado em 19/03/2026, às 09h16 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Marcela Guimarães
A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem sido alvo de críticas após a redução nos investimentos em segurança pública no estado de São Paulo.
Dados de execução orçamentária mostram que, desde 2023, os aportes nessa área foram cerca de 48% menores em comparação com o período final do governo anterior, comandado por João Doria e Rodrigo Garcia.
Considerando apenas a verba destinada a investimentos, utilizada para compra de equipamentos, obras e modernização, o atual governo aplicou aproximadamente R$ 2 bilhões em três anos.
No mesmo recorte, a gestão anterior havia destinado R$ 3,8 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O levantamento se baseia em dados do Portal da Transparência da Secretaria da Fazenda e do Planejamento, focando exclusivamente na rubrica de investimentos.
O governo estadual, por outro lado, contesta essa leitura e apresenta uma metodologia maior, que inclui todo o orçamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP), com despesas como salários, administração e encargos.
Segundo essa outra perspectiva, o orçamento autorizado da pasta cresceu de R$ 15 bilhões em 2022 para R$ 21,4 bilhões em 2025, desconsiderando gastos com aposentadorias e pensões.
Mesmo com o aumento do orçamento, o trabalho em cima dos investimentos ficou abaixo do esperado. No primeiro ano da atual gestão, quase metade da verba prevista deixou de ser aplicada.
Houve aumento no ano seguinte, mas ainda menor do que o registrado no fim do governo Doria.
Cortes em áreas específicas também geraram reações negativas, principalmente no combate ao crime organizado.
Um dos programas focados em integração e aparelhamento da segurança teve redução de 53% em apenas um ano, com o orçamento caindo de cerca de R$ 666 milhões para pouco mais de R$ 300 milhões.
A diminuição dos recursos paulistas tem impactado diretamente o dia a dia das forças de segurança.
Entre policiais militares, há relatos de falta de equipamentos básicos. Um dos casos mais problemáticos envolve a escassez de coletes balísticos, levando agentes a revezarem o uso de itens fora do prazo de validade ou em condições inadequadas.
A situação gerou preocupação interna. Em uma reunião recente com oficiais da Polícia Militar (PM), o próprio governador reconheceu limitações orçamentárias.
Outro problema recorrente é o número de policiais. Por mais que a legislação estadual preveja um efetivo de mais de 93 mil integrantes na PM, SP encerrou o último ano com pouco mais de 81 mil agentes, cerca de 13% abaixo do previsto.
Além disso, aumenta o número de profissionais que deixam a corporação. Em cinco anos, os pedidos de exoneração aumentaram 158%, passando de 356 em 2020 para 917 em 2025.
Na Polícia Civil, a principal queixa está relacionada à remuneração. Apesar de promessas de campanha de elevar os salários da categoria a um dos maiores do país, os reajustes aprovados até agora são considerados insuficientes para o cargo.
Em resposta, o governo paulista afirma que vem promovendo avanços na área. Em nota, destacou ações voltadas à recomposição do efetivo, valorização profissional e modernização das polícias.
Segundo a gestão, há 26,2 mil novos policiais entre formados, concursos em andamento e vagas já autorizadas.
Também foram citadas aquisições recentes, como 16,7 mil armas, 50,5 mil coletes balísticos e mais de 3,4 mil viaturas destinadas às forças de segurança e ao Corpo de Bombeiros.
*Com apuração do jornal O Globo
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