Política
Publicado em 22/09/2026, às 17h15 Foto: Divulgação/Hopi Hari Amanda Ambrozio
Uma adolescente de 15 anos perdeu o rim direito após cair enquanto fugia de um personagem da atração “Casa dos Monstros”, no Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo.
O acidente aconteceu durante uma excursão escolar, em novembro de 2023, e levou a uma cirurgia de emergência.
A 31ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve por unanimidade a condenação do parque ao pagamento de R$ 60 mil, sendo R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos. O julgamento ocorreu em agosto.
O Hopi Hari recorreu da decisão e afirma que pretende levar o caso adiante.
O acidente aconteceu em 16 de novembro de 2023, durante a “Hora do Horror”, evento anual do parque. A adolescente estava no local em uma excursão escolar e entrou na atração “Casa dos Monstros”.
Segundo o advogado George Souza, que representa a jovem, ela foi surpreendida por um funcionário caracterizado como personagem e passou a ser perseguida dentro da atração.
O ambiente tinha pouca iluminação e, diante do susto, a adolescente tentou se afastar correndo. Durante a fuga, caiu e bateu o lado direito do corpo contra uma estrutura rígida.
Nos autos, o objeto é descrito como uma espécie de quina, pedra ou degrau. O Hopi Hari, porém, contesta a existência de um degrau no local.
Após a queda, a jovem sentiu fortes dores e foi levada por uma monitora da escola ao ambulatório do parque.
A adolescente foi posteriormente transferida em uma ambulância UTI para o Hospital Santa Helena, em Santo André. Segundo a defesa, exames de tomografia apontaram ruptura completa do tecido do rim, além de um grande hematoma ao redor do órgão e líquido na cavidade abdominal.
A perícia reconheceu a relação entre o trauma provocado pela queda e a lesão renal.
Diante da gravidade do quadro, a jovem precisou passar por uma cirurgia de emergência para retirar completamente o rim direito. Segundo o advogado, ela sofreu hemorragia e choque hipovolêmico, o que impossibilitou a preservação do órgão.
Atualmente, a adolescente continua em acompanhamento médico e precisa tomar cuidados para preservar o rim remanescente.
Segundo Souza, as recomendações envolvem alimentação, hábitos de vida, atividades físicas e medicamentos que possam afetar o funcionamento do órgão.
Além da perda do rim, a cirurgia deixou uma cicatriz de aproximadamente 17 centímetros no abdômen.
O TJ-SP considerou que a marca é permanente e pode afetar a aparência e a autoimagem da adolescente. Segundo a decisão, ela relatou constrangimento para frequentar locais como praias e piscinas.
Para Souza, as consequências do acidente são permanentes.
“Uma adolescente entrou em um parque de diversões para participar de uma excursão escolar e saiu daquela experiência tendo perdido definitivamente um órgão”, afirmou o advogado ao UOL.
A Justiça fixou a indenização por danos morais em R$ 50 mil e por danos estéticos em R$ 10 mil. Um pedido de R$ 150 mil por danos materiais foi rejeitado.
Ao analisar o recurso do parque, o TJ-SP entendeu que a reação da adolescente era previsível diante da proposta da atração.
Segundo o acórdão, correr ou tentar fugir após um susto faz parte das reações instintivas esperadas em uma atividade criada justamente para provocar medo nos visitantes. Por isso, o comportamento da jovem não foi considerado suficiente para afastar a responsabilidade do parque.
A perícia confirmou que o trauma sofrido na queda provocou a lesão renal. A perita, entretanto, concluiu que não havia relação entre os danos sofridos e uma atuação do Hopi Hari.
O tribunal afirmou que a definição da responsabilidade pelo acidente é uma questão jurídica e, por isso, não estava obrigado a seguir a conclusão da perita nesse ponto.
Outro fator considerado pelos desembargadores foi a ausência de imagens do sistema de monitoramento do parque referentes ao momento do acidente. Segundo o acórdão, as gravações poderiam ajudar a esclarecer as circunstâncias da queda.
O Hopi Hari afirmou ao UOL que irá recorrer da decisão. Segundo o parque, a perita nomeada pela Justiça concluiu que a empresa não contribuiu para o resultado do acidente.
A empresa também sustenta que a adolescente não teria seguido as regras da atração ao correr, o que teria provocado a queda.
O parque argumenta ainda que a condenação teria sido baseada no fato de o acidente ter ocorrido dentro de suas dependências, apesar da conclusão apresentada pela perícia.
Após a decisão, o Hopi Hari apresentou embargos de declaração, mas o recurso foi rejeitado por unanimidade no domingo (21).
O tribunal afirmou não haver omissão ou contradição no julgamento anterior e alertou que novos recursos destinados apenas a rediscutir questões já analisadas poderão resultar em multa.
O parque ainda pode tentar recorrer aos tribunais superiores. Caso não haja novo recurso ou depois do encerramento das possibilidades de recurso, o processo poderá avançar para o pagamento da indenização.
A Hora do Horror é um evento anual do Hopi Hari realizado desde 2002. A programação transforma o parque para receber personagens caracterizados, cenários temáticos e atrações voltadas a provocar sustos nos visitantes.
A temporada costuma ocorrer entre agosto e novembro e apresenta um tema diferente a cada edição.
No caso analisado pela Justiça, a discussão central foi justamente se a reação de fuga provocada pelo ambiente da atração era previsível e se o parque deveria responder pelas consequências da queda sofrida pela adolescente.
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