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Política

Justiça não terá tempo hábil para verificar quebra de sigilos até o 2º turno, alerta jurista

Embora candidatos possam abrir sigilos, isso não garante transparência sobre eventuais irregularidades, segundo especialista  |  Foto: Reprodução/Agência Brasil

Publicado em 22/10/2026, às 14h20   Foto: Reprodução/Agência Brasil   Marina do Val

A troca de farpas sobre a abertura voluntária de sigilos fiscais e telefônicos entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganharam destaque na reta final da campanha eleitoral, mas têm efeito puramente político, sem viabilidade prática na Justiça Eleitoral antes da votação de domingo.

A avaliação é do jurista e professor de Direito da PUC-SP, Pedro Serrano, em entrevista ao programa UOL News, do Canal UOL.

De acordo com o especialista, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não dispõe de tempo hábil para autenticar e checar a veracidade de qualquer documento apresentado às vésperas do pleito. 

"Não tem tempo até a eleição de ela (a Justiça Eleitoral) afiançar os documentos. Porque, para afiançar documentos, ela precisa verificar. E essa verificação demora mais tempo do que o período que nos separa da eleição", explicou Serrano.

Eficácia jurídica

A controvérsia teve início após Lula colocar os seus sigilos e os de seus familiares à disposição, desafiando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a adotar a mesma medida. 

Para o professor da PUC-SP, embora os candidatos tenham o direito constitucional de renunciar à própria privacidade e divulgar dados pessoalmente, a iniciativa não possui respaldo nem finalidade judicial direta no âmbito do TSE. 

Serrano ressaltou ainda que a simples abertura voluntária de sigilo não garante transparência absoluta sobre eventuais irregularidades, uma vez que atos ilícitos costumam envolver mecanismos sofisticados de ocultação e fraude.

Foto: Reprodução/Agência Brasil
Foto: Reprodução/Band
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Falta de previsão legal

Em relação à responsabilidade civil e criminal, Serrano ponderou: "As minhas conversas eu posso expor e me responsabilizo por elas. Se atingir a honra de alguém, eu sou responsável. Quando eu exponho uma conversa, estou expondo uma conversa com outra pessoa que pode achar que vulnera o sigilo dela". 

Quanto à ausência de regulamentação, atualmente não existe qualquer legislaçãoque obrigue ou preveja o rito para que candidatos abram seus sigilos durante o processo eleitoral, e na esfera judicial a tendência da Justiça seria o arquivamento de solicitações desse tipo.

Como alternativa para futuros pleitos, Pedro Serrano sugeriu que a Justiça Eleitoral poderia, no futuro, atuar administrativamente como órgão regulador, desde que com regras preestabelecidas e prazos adequados. 

"Talvez fosse uma proposta boa ambos os candidatos concordarem que quem ganhar vai apresentar um projeto de lei, tornando isso obrigatório nos segundos turnos das eleições presidenciais", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre


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