Política
Publicado em 25/10/2026, às 23h27 Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert Andrezza Souza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu fazer o melhor mandato da história do Brasil ao discursar após a vitória no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, neste domingo (25). Em pronunciamento marcado por agradecimentos, críticas à desinformação e anúncios de prioridades para a próxima gestão, o petista afirmou que pretende mudar a forma de governar, ampliar o diálogo direto com a população e fortalecer políticas públicas nas áreas de educação, saúde e segurança.
“Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país”, declarou Lula diante de apoiadores e jornalistas. O presidente também prometeu dedicar sua rotina ao governo e afirmou que pretende trabalhar para garantir tranquilidade à população.
A vitória assegura a Lula seu quarto mandato presidencial. O petista, que completará 81 anos na terça-feira (27), afirmou que a campanha deixou lições para a próxima gestão e que pretende incorporar as experiências da disputa ao funcionamento do governo.
“Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país”, disse. Segundo ele, a população deverá participar mais das decisões, enquanto a comunicação digital terá espaço ampliado na relação entre o Executivo e os brasileiros.
O presidente afirmou que pretende usar as plataformas digitais para se comunicar diretamente com a população. Durante o discurso, contou que ganhou um celular e que já está aprendendo a utilizar o aparelho para conversar com apoiadores.
“Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, afirmou, ao defender que suas declarações sejam transmitidas diretamente, sem depender da interpretação de terceiros.
A regulamentação das plataformas digitais esteve entre os principais temas do pronunciamento. Lula afirmou que a eleição foi marcada pela influência de empresas e serviços digitais e defendeu regras para combater crimes cometidos na internet.
“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real”, declarou.
O presidente também criticou empresas de tecnologia que, segundo ele, faturam milhões e bilhões sem pagar impostos ao país e tentam influenciar o resultado das eleições. Para Lula, a atuação dessas plataformas precisa ser discutida pelo governo.
O petista classificou a disputa eleitoral como uma derrota da mentira e do negacionismo. Ao comentar os debates da campanha, criticou o comportamento de seu adversário e afirmou ter ficado constrangido com algumas declarações feitas durante os confrontos eleitorais.
Lula também mencionou a participação de apoiadores nas mobilizações realizadas durante o segundo turno. Ele destacou a presença de jovens e disse que ficou emocionado com o entusiasmo das pessoas que participaram de atos em defesa da democracia.
O presidente citou, em especial, a movimentação na Avenida Paulista, em São Paulo, e a participação do público no canto do Hino da Independência. Para ele, as manifestações demonstraram que o Brasil não aceita ocupar uma posição subordinada nas relações internacionais.
Ao abordar a política externa, Lula reafirmou a intenção de manter relações com diferentes países sem adotar tratamento desigual entre governos. Ele mencionou uma frase associada ao cantor e compositor Chico Buarque para defender uma postura diplomática sem submissão a potências estrangeiras.
No início do pronunciamento, Lula passou a palavra ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O ex-governador de São Paulo agradeceu aos eleitores e destacou a participação de jovens, mulheres e idosos no processo eleitoral.
Alckmin também elogiou a atuação de Lula e afirmou que o presidente havia contribuído para preservar a democracia brasileira. O vice-presidente declarou que pretende trabalhar com humildade e responsabilidade para corresponder à confiança dos eleitores.
Na sequência, Lula agradeceu aos partidos que participaram da campanha, às pessoas responsáveis pela coordenação eleitoral e aos brasileiros que votaram em sua candidatura.
O presidente também destacou o que descreveu como uma mobilização expressiva de eleitores idosos. Segundo ele, houve pessoas com dificuldades de locomoção e problemas de saúde que foram acompanhadas por familiares até os locais de votação.
Lula afirmou ainda que a campanha conseguiu convencer parte da população de que o voto era importante para a democracia. O presidente agradeceu especialmente aos jovens que foram às ruas durante o segundo turno.
Em outro momento, ele reconheceu a participação do deputado André Janones, a quem atribuiu atuação na mobilização diária dos apoiadores. Lula disse que o parlamentar ajudou a manter o ânimo dos grupos que trabalharam pela candidatura.
O petista também agradeceu a Alckmin e destacou a lealdade do vice-presidente durante a campanha. Ao comentar a parceria, afirmou que se considera feliz por contar com alguém que, segundo ele, mantém uma conduta íntegra.
A educação foi uma das áreas em que Lula apresentou compromissos específicos para o próximo mandato. O presidente afirmou que pretende ampliar o acesso ao ensino em tempo integral e universalizar esse modelo até o ensino médio.
Ele também prometeu expandir o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro destinado a estudantes do ensino médio público, e anunciou a intenção de criar uma iniciativa semelhante para universitários.
A proposta, segundo Lula, é evitar que jovens abandonem os estudos porque precisam trabalhar para garantir a própria renda.
“Vamos criar um Pé-de-Meia universitário para que nem o jovem nem a menina desistam de estudar porque tem que trabalhar”, declarou.
O presidente também defendeu mais investimentos no ensino de matemática e engenharia. Segundo ele, o país precisa ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologia e reduzir a dependência de soluções produzidas no exterior.
Ao abordar a inteligência artificial, Lula afirmou que deseja incentivar a criação de uma tecnologia brasileira, em vez de depender exclusivamente de sistemas desenvolvidos por empresas chinesas ou norte-americanas.
O presidente relacionou esse objetivo ao potencial energético nacional. Ele defendeu o uso da capacidade brasileira de geração de energia renovável para atrair centros de processamento de dados, conhecidos como data centers.
Lula também afirmou que pretende negociar para que essas estruturas mantenham parte das informações brasileiras no próprio país. A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia para ampliar a presença nacional na economia digital.
Na área da saúde, Lula afirmou que uma das motivações de sua campanha foi impedir o avanço de propostas que, na avaliação dele, poderiam levar à privatização do Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente não detalhou, no pronunciamento, medidas específicas para o sistema público de saúde, mas reafirmou a intenção de manter a saúde entre as prioridades do governo.
Ele também mencionou iniciativas relacionadas ao uso de tecnologia em hospitais e no atendimento médico. Durante o discurso, citou um projeto de hospital inteligente financiado com participação da ex-presidente Dilma Rousseff e da Universidade de São Paulo (USP).
Lula afirmou que o país deverá contar com 15 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes. Segundo ele, a proposta é reduzir mortes relacionadas à demora no acesso ao tratamento.
O presidente também mencionou a ampliação do tratamento contra o câncer. No pronunciamento, declarou estar convencido de que o Brasil poderá alcançar uma posição de destaque mundial nesse atendimento.
As iniciativas foram apresentadas como parte de uma agenda que combina investimentos em saúde, pesquisa científica e modernização tecnológica. Lula, porém, não apresentou cronogramas ou estimativas de recursos para os projetos mencionados.
A segurança pública foi outro dos temas destacados pelo presidente. Lula afirmou que o governo federal deverá ampliar sua participação na área, que, segundo ele, historicamente teve grande parte das responsabilidades atribuídas aos estados pela Constituição de 1988.
O petista avaliou que os governos estaduais não conseguem enfrentar sozinhos os desafios da segurança e defendeu uma atuação mais direta da União.
“Nós vamos entrar agora”, afirmou, ao anunciar que pretende trabalhar para devolver tranquilidade a trabalhadores e famílias.
Na sequência, apresentou uma declaração sobre a orientação que pretende adotar na área: “Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”.
Apesar da promessa, Lula não detalhou no pronunciamento quais mudanças pretende implementar, nem explicou como será estruturada a atuação federal. O tema deverá integrar as discussões sobre a organização do próximo governo.
Lula também afirmou que pretende ampliar o respeito às mulheres nas políticas públicas. Sem apresentar medidas específicas, declarou que o grupo deverá receber atenção maior durante o novo mandato.
O presidente abordou ainda a liberdade religiosa e o caráter laico do Estado brasileiro. Ele afirmou que não tem preferência por uma religião e defendeu que todas sejam tratadas em condições de igualdade.
“Eu tenho preferência pelo respeito à fé do povo brasileiro”, declarou.
Segundo Lula, cabe ao Estado assegurar que as pessoas possam exercer suas crenças e sua espiritualidade livremente. A declaração foi acompanhada de uma defesa do respeito à Constituição e aos direitos dos cidadãos.
O petista também afirmou que pretende governar para todos os brasileiros, inclusive para aqueles que não votaram nele. Para o presidente, a vitória eleitoral não elimina a obrigação de representar o conjunto da população.
“Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos”, afirmou.
Ao comentar os desafios do próximo mandato, Lula reconheceu que o Congresso Nacional terá uma composição mais conservadora. O presidente, no entanto, afirmou que pretende negociar com os parlamentares eleitos e buscar apoio para aprovar as propostas do governo.
Ele argumentou que a composição do Legislativo foi definida pelos eleitores e que caberá ao Executivo trabalhar com os representantes escolhidos nas urnas.
“Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, declarou.
A fala indica que a articulação política será um dos pontos de atenção da próxima gestão. Lula não apresentou uma lista de projetos prioritários para negociação com deputados e senadores, mas afirmou que pretende conduzir o governo respeitando a Constituição.
O presidente também evitou defender uma ideia de unidade nacional sem ressalvas. Em vez disso, afirmou que deseja um país civilizado, no qual as instituições e as regras constitucionais sejam respeitadas.
Na área econômica, Lula defendeu uma estratégia baseada em investimentos na economia digital, na economia verde e na economia criativa. Segundo ele, o Brasil deve aproveitar seus recursos naturais, sua capacidade de produção energética e o potencial de sua população para ampliar a participação no cenário internacional.
O presidente afirmou que deseja transformar o país em uma nação desenvolvida e ampliar sua influência nas decisões políticas e econômicas globais.
Também prometeu dar continuidade a ações de combate ao desmatamento. Durante o discurso, afirmou que o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento por quatro anos consecutivos e agradeceu à ministra Marina Silva e a representantes da área ambiental.
Lula declarou ainda que pretende ampliar a atuação brasileira nas discussões sobre mudanças climáticas e contribuir para iniciativas internacionais voltadas à preservação ambiental.
O presidente relacionou a agenda ambiental ao potencial de crescimento econômico do país. Na avaliação apresentada durante o pronunciamento, investimentos em energia renovável e tecnologia podem ajudar a atrair empresas e ampliar a capacidade produtiva nacional.
Durante o discurso, Lula falou sobre a idade e o compromisso que pretende assumir com a população. O presidente completará 81 anos em 27 de outubro e afirmou que pretende manter uma rotina intensa durante o novo mandato.
“Vou dedicar 20 horas, 24 horas por dia para fazer desse país um país que todo mundo sonha”, declarou.
O petista também disse que pretende iniciar reuniões com diferentes setores da sociedade nos dois meses seguintes à eleição. Entre os grupos mencionados estão empresários, educadores, cientistas e mulheres.
Em tom descontraído, Lula afirmou que também pretende se reunir com representantes do Corinthians, seu time de futebol, ao comentar uma derrota recente da equipe.
O presidente voltou a agradecer aos eleitores e afirmou que a vitória foi resultado da participação popular. Também declarou que, após a eleição, não considera que deva continuar tratando os adversários políticos como rivais eleitorais.
Ao encerrar o pronunciamento, Lula afirmou que pretende ir à Avenida Paulista para agradecer pessoalmente aos apoiadores. Ele também comparou a mobilização de seus eleitores a um exército da democracia e disse duvidar que Rússia, China ou Estados Unidos tenham uma força semelhante.
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