Política
Publicado em 22/03/2026, às 10h35 Foto: Rosinei Coutinho/STF Érica Sena
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, suspeito de integrar um esquema de venda de dados fiscais sigilosos de autoridades.
A decisão foi cumprida no dia 14 de março, e a detenção foi mantida após audiência de custódia, como citado pelo site da CBN.
O investigado está detido no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro. Segundo apuração, ele é apontado pela Polícia Federal como um dos mandantes de uma organização criminosa responsável por acessar indevidamente dados protegidos de contribuintes.
De acordo com as investigações, o grupo teria obtido ilegalmente informações do Imposto de Renda de ao menos 1.819 pessoas. Entre os alvos estão familiares de ministros do STF, além de integrantes de outros órgãos públicos, como o Tribunal de Contas da União, parlamentares e ex-autoridades.
Entre as vítimas está Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A inclusão de pessoas próximas a autoridades elevou o grau de gravidade do caso e acelerou as medidas adotadas pelos órgãos de investigação.
A Polícia Federal já havia deflagrado, no início de março, uma operação para apurar o vazamento de dados, cumprindo mandados de busca e apreensão e cinco prisões temporárias contra suspeitos de participação no esquema.
Diante das suspeitas, a Receita Federal informou que abriu uma auditoria interna para identificar possíveis irregularidades no acesso às informações fiscais. O procedimento foi iniciado após solicitação do STF, feita em janeiro, com foco em verificar acessos realizados nos últimos três anos.
Segundo o órgão, os sistemas utilizados para consulta de dados fiscais possuem mecanismos de rastreamento que permitem identificar quem acessou as informações e em quais circunstâncias. A Receita também destacou que não tolera violações de sigilo e que eventuais responsáveis podem ser punidos tanto na esfera administrativa quanto criminal.
As apurações seguem em andamento e buscam esclarecer a extensão do esquema, incluindo possíveis compradores dos dados e a participação de outros envolvidos. A linha de investigação considera que as informações teriam sido comercializadas de forma ilegal, o que pode configurar crimes como organização criminosa, violação de sigilo funcional e corrupção.
A prisão preventiva foi decretada para evitar interferências nas investigações e garantir a ordem pública, diante da gravidade dos fatos. O caso segue sob responsabilidade da Polícia Federal e deve avançar com novas diligências, incluindo análise de dispositivos apreendidos e cruzamento de dados obtidos ao longo da operação.
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