Política
Publicado em 16/03/2026, às 22h04 Foto: Ricardo Stuckert/Planalto. Bianca Novais
A demora na liberação de empréstimos federais para grandes obras de infraestrutura em São Paulo tem provocado desgaste entre os governos estadual e federal.
Projetos estratégicos de mobilidade, que somam bilhões de reais, enfrentam incertezas enquanto aguardam a formalização de financiamentos.
Segundo a CNN Brasil, o governo paulista afirma que a liberação de crédito prometido pela União tem se arrastado, o que ameaça o cronograma de empreendimentos e pressiona o caixa estadual.
O impasse envolve operações com instituições públicas como BNDES e Banco do Brasil, além da necessidade de garantias do Tesouro Nacional para viabilizar os contratos. Sem essas etapas, os recursos não podem ser liberados para execução das obras.
Entre os projetos impactados estão o túnel imerso que ligará Santos ao Guarujá, o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas e expansões do metrô na capital paulista. Todos dependem de financiamentos federais ou de garantias da União para avançar.
Um exemplo é a ampliação da Linha 2-Verde do metrô, prevista para ganhar 13 novas estações. Embora um empréstimo de cerca de R$ 2,4 bilhões tenha sido aprovado em 2025 para as obras civis, o contrato ainda não foi assinado mais de um ano depois.
No caso do túnel Santos-Guarujá, o estado precisa fazer o primeiro pagamento ao grupo que venceu a concessão até o fim de março. Como o financiamento não foi liberado, o governo paulista avalia remanejar recursos do orçamento de 2026 para evitar descumprimento contratual.
Nos bastidores, integrantes da gestão estadual afirmam suspeitar de interferência política nas dificuldades para obter crédito, apontando uma sequência de exigências e pedidos de documentos adicionais antes da aprovação final das operações.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, rejeita a hipótese de tratamento desigual. A pasta afirma que não há atraso deliberado e sustenta que alguns pedidos de financiamento apresentam pendências técnicas, como ausência de pareceres jurídicos ou falta de assinaturas em documentos oficiais.
Enquanto o impasse não é resolvido, o governo de São Paulo busca alternativas para garantir a continuidade das obras e evitar atrasos. A possibilidade de realocar recursos do orçamento estadual é vista como uma saída emergencial, mas pode afetar o planejamento de outros projetos futuros.
Nos bastidores, técnicos de ambas as gestões reconhecem que o clima político entre Brasília e o Palácio dos Bandeirantes se deteriorou diante da disputa sobre a liberação dos financiamentos.
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