Política

Operação afasta vereador e secretários em Ferraz de Vasconcelos por suspeita de corrupção

Investigação aponta esquema envolvendo vereador e secretários na celebração de TACs ambientais; Justiça determinou bloqueio de bens  |  Foto:Reprodução/Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos

Publicado em 28/01/2026, às 12h41   Foto:Reprodução/Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos   Érica Sena

O Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou, nesta quarta-feira (28), uma operação que resultou no afastamento de um vereador e três secretários da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana de São Paulo.

A ação apura um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários, com indícios de pagamento de propina em acordos firmados pelo município, como citado pelo site Metrópoles.

Foram afastados por 180 dias o vereador Ewerton de Lissa Souza (Podemos), o secretário de Administração, Adriano Dias Campos, o secretário da Fazenda, Pedro Paulo Teixeira Júnior, e o coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente, Moacyr Alves de Souza. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas sedes da Prefeitura e da Câmara Municipal.

Operação é desdobramento de investigação sobre o PCC

Batizada de Operação TAC, a ação é um desdobramento da Operação Munditia, iniciada em 2024 para investigar fraudes em licitações supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o MP, novas provas foram obtidas a partir da análise de dados extraídos de aparelhos de um ex-vereador.

A operação desta quarta mobilizou mais de 100 agentes, com atuação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente). A Polícia Militar deu apoio por meio do Policiamento Especializado de Operações (PEO) e da Rota.

Suspeita envolve TACs e dívida milionária

De acordo com o Ministério Público, foi identificado um conluio para a celebração de dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) no âmbito da Prefeitura.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos

Os acordos teriam resultado na suspensão de certidões de dívida ativa e na desistência de ações judiciais do município relacionadas a infrações ambientais, em troca de suposto pagamento de propina.

A dívida negociada ultrapassava R$ 24 milhões, segundo os investigadores. O MP afirma que o pagamento ilícito teria ocorrido por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas de fachada e transferências financeiras. Durante as buscas, R$ 105 mil em dinheiro foram apreendidos na residência de um dos envolvidos.

Bloqueio de bens e mandados em outros estados

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados e das empresas supostamente beneficiadas pelo esquema. Ao todo, foram expedidos 22 mandados de busca e apreensão, cumpridos também em Barueri, Guarulhos e Belo Horizonte (MG). O cumprimento das obrigações ambientais previstas nos TACs ainda será apurado, com acompanhamento do Gaema.

Classificação Indicativa: Livre


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