Política
Publicado em 15/10/2026, às 15h20 Foto: Reprodução/Redes Sociais Amanda Ambrozio
O deputado federal Lucas Pavanato (PL-SP) foi condenado pela Justiça de São Paulo, em segunda instância, a pagar R$ 20 mil de indenização a uma mulher que foi alvo de vídeos publicados em suas redes sociais.
Segundo a decisão, o parlamentar utilizou a gravação de uma abordagem na Avenida Paulista para ridicularizar a mulher e obter engajamento na internet.
O caso ocorreu em fevereiro de 2025, quando Pavanato abordou a mulher na Avenida Paulista, na região central de São Paulo, e fez perguntas sobre temas políticos.
A Justiça entendeu que a edição posterior das imagens expôs a mulher ao constrangimento e sugeriu que ela não tinha capacidade intelectual para responder aos questionamentos.
O deputado, que recebeu mais de três milhões de votos na eleição, ainda pode recorrer da decisão, segundo o UOL.
De acordo com o processo, Pavanato publicou três conteúdos nas redes sociais com base na gravação da abordagem. Em uma das publicações, utilizou a frase “Como travar uma feminista”.
O advogado Márcio de Castro, que representa a mulher, afirmou à Justiça que o parlamentar conduziu a abordagem de maneira maliciosa, sem permitir que ela respondesse adequadamente às perguntas.
“Ele sequer a deixava responder, cortando suas respostas ou mesmo a ignorando e a enchendo de mais perguntas, constrangendo-a por completo”, afirmou o advogado na ação.
Atualmente, Pavanato tem cerca de seis milhões de seguidores no Instagram, segundo as informações apresentadas no caso.
O desembargador Eduardo Marcondes, relator do processo, afirmou que a edição dos vídeos levou o público a interpretar que a mulher não tinha capacidade intelectual para responder às perguntas feitas pelo deputado.
Na decisão, o magistrado destacou que a liberdade de expressão e de crítica não permite utilizar a imagem de uma pessoa fora do contexto original com o objetivo de expô-la ao ridículo.
“A liberdade de crítica não autoriza que a imagem de uma pessoa seja utilizada, fora do contexto original, como instrumento de ridicularização pessoal”, afirmou o desembargador.
A decisão de segunda instância manteve o valor de R$ 20 mil, já estabelecido na primeira instância, por entender que a utilização das imagens ultrapassou os limites da crítica política e do humor.
Durante o processo, Pavanato afirmou que a abordagem foi pacífica e que a mulher concordou voluntariamente em responder às perguntas. O deputado também negou ter cometido qualquer ato ilícito.
Segundo sua defesa, as publicações estavam inseridas no exercício legítimo do humor e da sátira política.
“Tolher a liberdade de veiculação e crítica sob o argumento de que a manifestação gerou 'desconforto' ou 'escárnio' institui grave precedente de censura judicial”, argumentou o parlamentar à Justiça.
Apesar dos argumentos apresentados pela defesa, a segunda instância manteve a condenação ao pagamento da indenização. Pavanato ainda pode apresentar recurso contra a decisão.
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