Política
Publicado em 27/07/2026, às 09h09 Rovena Rosa/Agência Brasil Bernardo Rego
O Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, fica localizado em uma área com muitos prédios e casas e, por conta disso, o ruído das aeronaves decolando e pousando acaba incomodando os moradores. Apesar disso, a construção de prédios não diminuiu.
De acordo com um levantamento feito pela Folha de São Paulo, entre 2016 e 2025 a prefeitura autorizou a construção de ao menos 77 prédios em locais expostos a 65 decibéis, ou seja, que não é compatível para casas sem reforço acústico.
A área mais afetada não abrange apenas a vizinhança do aeroporto, mas acaba atingindo imóveis a até 4,1 km de distância da pista, principalmente nos distritos Campo Belo, Itaim Bibi, Moema e Jabaquara.
O entorno do aeroporto tem estações das linhas 1-azul, 5-lilás e 17-ouro, além do corredor da avenida Santo Amaro o que facilita a mobilidade.
Em nota, a prefeitura respondeu que a revisão da legislação urbanística contou com "amplo processo participativo, aberto a toda população", incluindo agentes envolvidos na temática. A prefeitura pontua ainda que a incorporação das curvas de ruído à Lei de Zoneamento pode ficar para a próxima revisão, que deve ocorrer depois de 2029.
Ainda na nota, a prefeitura disse que que adota medidas para ampliar a transparência o que inclui resolução do fim de junho deste ano para que alvarás informem quando o empreendimento estiver em área de ruído aeronáutico, assim como a futura veiculação das curvas de ruído no mapa digital da cidade.
Atualmente há quarteirões com casas, comércios e outros imóveis baixos em áreas com zoneamento que permite a construção de prédios no entorno ruidoso de Congonhas. Nos anúncios dos novos empreendimentos, há tanto os que destacam ser próximo ao aeroporto quanto aqueles que sequer mencionam o aeroporto.
A projeção das curvas de ruído está em atualização pela concessionária de Congonhas, a Aena. Há a possibilidade de mudança de parte dos locais mais afetados com as obras de expansão do aeroporto, que devem ser concluídas em 2028.
Ainda conforme a Folha de São Paulo, 86,3 mil pessoas moram no perímetro mais ruidoso do entorno de Congonhas. Contratado pela concessionária do aeroporto (Aena), o levantamento considerou os dados do último Censo, de 2022. O total é quase o triplo do estimado em 2011, em nota técnica da Anac. À época, o número projetado era de 30,8 mil residentes.
O Plano Aeroviário Nacional 2022-2052 aponta o ruído como um dos principais impactos negativos da aviação, afetando o bem-estar e a saúde da população, como na capacidade cognitiva, no sono e na tensão arterial.
Também menciona que estudos internacionais avaliam que as curvas de controle de aeroportos poderiam abranger até 50 ou 55 decibéis, em média ponderada. Isso porque mais áreas tendem a ter impacto significativo.
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