Política
Publicado em 05/02/2026, às 08h27 Foto: Divulgação Érica Sena
A Prefeitura de São Paulo reduziu em R$ 12 milhões o orçamento destinado à infraestrutura e à organização do carnaval de rua em 2026. Com o corte, 100% da estrutura da festa será custeada pela iniciativa privada, por meio de patrocínio da Ambev, no valor de R$ 30,2 milhões.
A decisão ocorre em meio a críticas de organizadores de blocos tradicionais, que apontam baixo fomento público e ausência de diálogo com o poder municipal.
Em 2025, a prefeitura investiu R$ 42,5 milhões na infraestrutura do carnaval, sendo R$ 27,8 milhões bancados pela patrocinadora, como citado pelo G1.
Para este ano, o aporte caiu 29%. Desde 2024, a responsabilidade pela produção e infraestrutura do evento é da SPTuris, que cuida da contratação de banheiros químicos, gradis, tapumes, produtores, sinalização e materiais informativos.
Durante coletiva de imprensa, o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, afirmou que o patrocínio será suficiente para cobrir toda a estrutura necessária aos oito dias de folia. Segundo ele, o investimento privado será destinado exclusivamente à operação logística dos blocos, não incluindo áreas como segurança pública e trânsito.
As ações de policiamento, guarda municipal e controle viário continuarão sob responsabilidade do poder público municipal e estadual, envolvendo a Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana e a CET.
Inicialmente, o contrato de patrocínio previa R$ 29,2 milhões, mas foi ampliado em R$ 1 milhão para a instalação de 245 pontos de coleta de material reciclável, elevando o total para R$ 30,2 milhões.
A prefeitura estima que 16,5 milhões de pessoas participem do carnaval de rua oficial, que inclui pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. Estão previstos 627 blocos desfilando por todas as regiões da cidade, além de 11 megablocos com atrações como Ivete Sangalo, Léo Santana, Alceu Valença, Baiana System e Calvin Harris.
Em nota, a administração municipal afirmou que a estrutura foi planejada para atender plenamente o evento e que a redução ocorreu após estudos para eliminar trajetos ociosos e estruturas excedentes.
Organizadores ouvidos pela imprensa afirmam que o fomento público de R$ 2,5 milhões é insuficiente, especialmente diante do impacto econômico do carnaval, que movimentou R$ 3,4 bilhões no ano passado. Apenas 100 blocos receberam apoio de R$ 25 mil, valor considerado insuficiente para cobrir custos básicos.
Além disso, há críticas à falta de representação dos blocos nas instâncias de decisão. Para os organizadores, a exclusão do diálogo compromete a sustentabilidade do carnaval de rua, enquanto o prefeito Ricardo Nunes defende que os blocos busquem patrocínio próprio e não dependam apenas de recursos públicos.
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