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Política

Prefeitura se pronuncia sobre polêmica envolvendo shows do BTS em São Paulo

Após notificação do MPSP, a prefeitura afirmou que a organização interna do show cabe à Live Nation; empresas têm 48 horas para se explicar  |  Foto: Reprodução/Big Hit Entertainment

Publicado em 22/10/2026, às 13h35   Foto: Reprodução/Big Hit Entertainment   Amanda Ambrozio

A Prefeitura de São Paulo se pronunciou, nesta quinta-feira (22) sobre a polêmica envolvendo a organização dos shows do BTS, previstos para os dias 28, 30 e 31 de outubro, no estádio MorumBIS, na zona sul da capital.

Em nota enviada ao BNews São Paulo, a gestão municipal afirmou que a organização e a operação da estrutura interna dos eventos são de responsabilidade da produtora Live Nation.

O posicionamento ocorre após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) notificar a Prefeitura, a Live Nation e a Ticketmaster para que prestem esclarecimentos sobre uma divergência entre o mapa divulgado durante a venda de ingressos e uma planta técnica publicada no Diário Oficial do Município.

A Prefeitura destacou que questões relacionadas à venda de ingressos, ao acesso do público e à organização dos setores devem ser tratadas diretamente com a produtora.

Segundo a gestão, cabe ao poder público atuar em questões como ordenamento urbano, mobilidade e segurança viária, além de realizar os procedimentos regulares de análise e fiscalização dentro de suas competências.

Na quarta-feira (21), a Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital estabeleceu prazo de 48 horas para que os envolvidos apresentem explicações. A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) também deverá encaminhar a versão definitiva da planta apresentada ao município.

Foto: Reprodução/Instagram/@bts.bighitofficial
Foto: Divulgação/São Paulo Futebol Clube (fotos oficiais)

Divergência no mapa dos shows gerou reclamações

A controvérsia começou após uma planta técnica publicada no Diário Oficial indicar duas áreas próximas ao palco, denominadas “PIT 1” e “PIT 2”. Os setores, porém, não apareciam no mapa comercial apresentado aos consumidores durante a compra dos ingressos.

A diferença gerou preocupação entre fãs que adquiriram entradas para a Pista e o Soundcheck Pacote VIP, que inclui entrada antecipada e acesso à passagem de som. Os consumidores questionaram se a existência de áreas reservadas poderia prejudicar a visibilidade e as condições oferecidas no momento da compra.

Segundo o despacho da Promotoria, a Live Nation declarou publicamente que não haverá setores PIT nos shows e que a configuração seguirá o padrão adotado nas demais apresentações da turnê na América do Sul.

As páginas oficiais da Ticketmaster indicavam como setores comercializados Pista, Soundcheck Pacote VIP, Arquibancada, Cadeira Superior e Cadeira Inferior. Os três shows estavam esgotados, e não havia oferta de áreas identificadas como PIT 1 ou PIT 2.

Apesar das manifestações da produtora, o MPSP apontou que ainda não foi esclarecido por que a planta com os dois setores foi publicada no Diário Oficial. O despacho também menciona mensagens atribuídas ao atendimento da Live Nation: uma resposta teria mencionado “acesso ao PIT”, enquanto outra, enviada posteriormente, não continha a expressão.

A Promotoria ressaltou que os elementos reunidos até o momento não demonstram que as empresas pretendam descumprir a configuração oferecida aos consumidores.

Ministério Público recomenda respeito às condições de compra

Além de solicitar esclarecimentos, o MPSP recomendou à Live Nation e à Ticketmaster que respeitem os setores e as condições divulgados durante a comercialização dos ingressos.

O documento orienta as empresas a não criarem áreas reservadas a convidados, divisórias, barreiras ou restrições de acesso que alterem substancialmente a configuração anunciada ou prejudiquem os compradores da Pista e do Soundcheck Pacote VIP.

As organizadoras também deverão divulgar antecipadamente, em seus canais oficiais, o mapa definitivo dos eventos, com a identificação dos setores e de eventuais áreas técnicas, operacionais, de segurança ou de acesso restrito.

Caso o cumprimento integral da oferta seja impossível por razões técnicas, de segurança ou outro motivo relevante devidamente justificado, as empresas deverão comunicar a mudança de forma clara e antecipada.

Os consumidores que não aceitarem a alteração deverão ter direito ao ressarcimento integral dos valores pagos, com atualização monetária, sem prejuízo de outras alternativas previstas no Código de Defesa do Consumidor.

MPSP também apura reclamações sobre os telões

A discussão sobre a disposição dos setores ocorre em meio a outras reclamações sobre a estrutura dos shows.

Segundo atualização da Promotoria do Consumidor, foi instaurado um Procedimento Preparatório de Inquérito Civil (PPIC) para apurar os questionamentos relacionados aos telões.

O órgão solicitou informações à Live Nation e à Ticketmaster, também com prazo de 48 horas para resposta. Até o momento, foram recebidas mais de 140 representações sobre o assunto.

A redução do número de painéis de LED na estrutura da turnê mundial do grupo sul-coreano provocou críticas entre os fãs. Nas apresentações realizadas anteriormente na Coreia do Sul, nos Estados Unidos, no México e na Europa, o palco 360° contava com 12 painéis. Para os shows na América Latina, o número caiu para quatro.

A Live Nation Brasil confirmou que o palco seguirá o mesmo padrão adotado em outros países da região, como Chile e Argentina.

Confira a íntegra da nota da Prefeitura de São Paulo enviada à reportagem:

“A Prefeitura de São Paulo esclarece que a organização e a operação da estrutura interna do show do BTS são de responsabilidade da produtora Live Nation. Questões relacionadas à venda e distribuição de ingressos, acesso do público, organização dos setores e demais atividades internas do evento devem ser tratadas diretamente com a empresa responsável.

O evento está sujeito aos procedimentos regulares de análise e fiscalização pelos órgãos municipais competentes, observadas as exigências legais e as atribuições do poder público. Esses procedimentos não se confundem com as decisões comerciais e operacionais, que permanecem sob responsabilidade da produtora. À Prefeitura cabem as medidas relacionadas ao ordenamento urbano, mobilidade, segurança viária e demais competências municipais, com o objetivo de contribuir para a realização organizada e segura do evento.”

Classificação Indicativa: Livre


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