Política

Projeto quer mudar nome da Rua Peixoto Gomide após crime ligado ao ex-senador; entenda

A proposta visa alterar o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide, em homenagem à vítima de feminicídio.  |  Foto: Reprodução/ Tv Globo

Publicado em 12/03/2026, às 10h25   Foto: Reprodução/ Tv Globo   Fernanda Montanha

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de São Pauloaprovou na quarta-feira (11) um projeto que propõe alterar o nome da Rua Peixoto Gomide, localizada entre os bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na região central da capital paulista.

A proposta sugere que a via passe a se chamar Rua Sophia Gomide. O projeto ainda depende de votação no plenário da Câmara para que a mudança possa ser confirmadae efetivamente aplicada.

A iniciativa foi apresentada pelas vereadoras Luna Zarattini, do PT, e Silvia da Bancada Feminista, do PSOL. Segundo as parlamentares, a proposta busca rever uma homenagem feita ao senador Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior.

De acordo com a justificativa do projeto, o ex senador matou a própria filha, Sophia Gomide, em 1906 após se opor ao casamento dela. As autoras da proposta afirmam que a alteração do nome da rua tem como objetivo reconhecer a memória da vítima.

Debate sobre homenagens públicas

Segundo o texto apresentado pelas vereadoras, a rua recebeu o nome do ex senador em 1914. Na época, a homenagem foi aprovada sem que o assassinato de Sophia Gomide fosse mencionado nas referências oficiais, conta o G1.

O parecer favorável foi emitido pela Comissão de Constituição e Justiça, responsável por verificar a legalidade das propostas antes de sua votação no plenário. A análise da comissão concluiu que o projeto atende aos requisitos legais para continuar a tramitação.

Durante a votação do parecer, apenas um parlamentar se posicionou contra a proposta. O voto divergente foi registrado pelo vereador Lucas Pavanato.

As autoras defendem que a alteração representa uma revisão histórica sobre nomes presentes no espaço público. Segundo elas, é necessário discutir quais figuras são homenageadas em ruas e logradouros da cidade.

Na justificativa do projeto, as vereadoras afirmam que o objetivo também é ampliar a visibilidade de mulheres na memória urbana. A proposta integra ações que questionam homenagens a autores de feminicídio em espaços públicos.

Outras ruas também podem ter nomes alterados

A iniciativa faz parte da campanha chamada “Feminicida não é herói”, que reúne projetos voltados à revisão de homenagens públicas na cidade. A mobilização busca impedir que autores de feminicídio sejam lembrados em nomes de ruas ou equipamentos públicos.

Entre os casos citados nas propostas está a Rua Moacir Piza, localizada no bairro Cerqueira César. O projeto relacionado ao local prevê a mudança para Rua Nenê Romano, mulher assassinada em 1923 pelo ex companheiro.

Outra via mencionada é a Rua Alberto Pires, em Pirituba, na zona norte da cidade. Nesse caso, a proposta em discussão prevê a alteração do nome para Dona Leonor de Camargo Cabral.

Além dessas iniciativas, tramita na Câmara o Projeto de Lei 483/2025, que trata da criação de regras para futuras denominações de espaços públicos. O texto estabelece restrições para homenagens a pessoas envolvidas em casos de feminicídio.

A proposta foi aprovada em primeira votação pelos vereadores. A expectativa é que a segunda votação ocorra ainda em março antes do envio do texto ao prefeito Ricardo Nunespara possível sanção.

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