Política
Publicado em 02/06/2026, às 12h00 Foto: Reprodução/Reuters Gabriela Pessanha
O Quênia suspendeu nesta terça-feira (2) a proposta americana para instalação de uma unidade de quarentena no país para pacientes com Ebola. A decisão foi tomada após um protesto que deixou dois mortos.
A manifestação aconteceu na segunda-feira (1°), em Nanyuki, a participação de centenas de moradores.
Segundo o organizador do protesto, Patrick Wahome, as mortes foram causadas por disparos da polícia. No entanto, a CNN afirma que o órgão de segurança ainda não especificou a origem dos ferimentos das vítimas.
A juíza Patricia Nyaundi, do Tribunal Superior do Quênia, emitiu uma ordem para que o governo do país não tome nenhuma decisão sobre a instalação da unidade em Nanyuki até que a situação seja resolvida.
A nova determinação também define que o governo precisa divulgar os protocolos operacionais da instalação dentro de sete dias.
A proposta do governo dos Estados Unidos prevê uma unidade de quarentena com 50 leitos que abrigue pacientes americanos expostos ao vírus do Ebola na República Democrática do Congo ou em Uganda.
Segundo a agência Reuters, na semana anterior Patricia já havia emitido a suspensão temporária do plano de admitir pacientes possivelmente infectados no Quênia.
No entanto, apesar da decisão do tribunal, fontes diplomáticas e um oficial americano afirmaram que o transporte de equipamentos e pessoas não foi interrompido.
Uma nova audiência foi marcada para 23 de junho.
O Departamento de Estado dos EUA ainda não comentou a decisão do tribunal queniano.
Na segunda-feira, o presidente do Quênia, William Ruto, defendeu a instalação e afirmou que ela faz parte de um plano nacional de preparação e de uma parceria a longo prazo da área da saúde do país com os Estados Unidos.
"Somos um governo responsável. Sabemos o que estamos fazendo", afirmou.
Ruto ainda detalhou que a instalação atenderia quenianos e estrangeiros. As autoridades americanas ainda não confirmaram esse direcionamento.
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