Política
Publicado em 01/09/2026, às 06h00 Foto: Pexels Andrezza Souza
Setembro Amarelo chegou. Durante o mês de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, o debate também passa por situações que podem causar sofrimento emocional. Uma delas é a autocobrança excessiva.
Ter metas, querer melhorar e buscar bons resultados fazem parte da vida. O problema aparece quando a pessoa passa a exigir demais de si, não aceita erros e sente que nunca faz o suficiente.
A psicóloga Luciana Xavier, fundadora da Neuropsicolux e especialista em autismo em mulheres, falou ao BNews SP sobre a diferença entre buscar um bom resultado e exigir perfeição.
“Buscar excelência é saudável. Exigir perfeição de si mesmo, não.”
Segundo Luciana, o perfeccionismo pode fazer com que a pessoa tenha medo de errar e até deixe de agir. A cobrança, que poderia servir como incentivo, passa a gerar culpa e frustração.
“O perfeccionismo paralisa.”
A especialista também relaciona a autocobrança e o perfeccionismo autocrítico a situações de ansiedade, depressão e sofrimento emocional. Isso não significa que a cobrança, sozinha, cause esses problemas, mas ela pode estar presente nesses quadros.
A psicóloga Juliany Silva Gomes, com orientação psicanalítica, também conversou com o BNews SP sobre a dificuldade de reconhecer as próprias conquistas.
Muitas vezes, a pessoa termina uma tarefa e já começa a pensar na próxima. Com isso, não consegue parar para perceber o que conseguiu fazer.
“Que tempo eu tenho pra reconhecer as minhas conquistas?”
A cobrança também pode levar a pessoa a estabelecer metas sem considerar seus próprios limites.
“Nós não vamos dar conta de tudo e a gente nem precisa.”
Para Juliany, entender isso não significa deixar de buscar resultados. Significa reconhecer que existem momentos em que nem todas as tarefas serão cumpridas e que isso não representa, necessariamente, uma falha.
A autocobrança também pode crescer com as comparações feitas nas redes sociais.
Fotos de viagens, conquistas profissionais, mudanças pessoais e outros momentos positivos podem criar a impressão de que outras pessoas estão sempre avançando.
Juliany lembra que aquilo que aparece nas redes é apenas uma parte da vida de quem publica.
“A gente pega esses cortes de realizações e a gente compara com a nossa vida inteira.”
A comparação pode fazer com que a pessoa passe a enxergar mais aquilo que ainda não conseguiu do que os próprios avanços.
A autocobrança merece atenção quando começa a afetar a rotina e a maneira como a pessoa se enxerga.
Culpa frequente, medo de errar, dificuldade para aceitar resultados que não saíram como esperado e a sensação de nunca fazer o suficiente são alguns sinais que podem indicar sofrimento emocional.
Esses sinais não significam, sozinhos, que exista um transtorno mental. A avaliação deve ser feita por um profissional.
Luciana também falou ao BNews SP sobre a importância de não esperar uma crise para buscar acompanhamento psicológico.
“O psicólogo não deveria ser o pronto-socorro emocional.”
A terapia pode ajudar a entender de onde vem a cobrança e como ela interfere na rotina, nas relações e na forma como a pessoa avalia a si mesma.
No Setembro Amarelo, falar sobre autocobrança também é uma forma de olhar para o sofrimento antes que ele chegue ao limite. A pressão para acertar, produzir e corresponder às expectativas pode passar despercebida por muito tempo.
Reconhecer esses sinais e procurar ajuda quando necessário pode evitar que a cobrança ocupe um espaço cada vez maior na vida.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e atua na prevenção do suicídio. O atendimento é gratuito, voluntário e sigiloso, destinado a qualquer pessoa que queira conversar ou esteja passando por um momento difícil.
O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone, e-mail e chat.
Pelo número 188, a pessoa conversa com um voluntário de forma anônima e sem julgamentos. Os atendentes são capacitados para ouvir e oferecer apoio emocional, sempre preservando a identidade e o sigilo sobre o conteúdo da conversa.
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