Política

Sistema Cantareira deve manter restrições após perder 30 bilhões de litros de água em agosto

Com volume útil próximo a 30%, um dos principais mananciais de São Paulo perdeu 30 bilhões de litros em um mês e terá captação limitada pela Sabesp  |  Foto: Raylton Alves/Banco de Imagens ANA

Publicado em 31/08/2026, às 16h22   Foto: Raylton Alves/Banco de Imagens ANA   Marina do Val

O Sistema Cantareira fecha o mês de agosto sob um panorama de atenção para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.

Com o nível do reservatório em queda contínua, marcando pouco mais de 30% do seu volume útil, a tendência é que o manancial permaneça na faixa de alerta ao longo do mês de setembro.

Apenas nas quatro semanas de agosto, o maior conjunto de represas da região perdeu aproximadamente 30 bilhões de litros de água.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume acumulado registra uma perda de 17 bilhões de litros.

Restrições na captação de água

A permanência na faixa de alerta impõe limites operacionais determinados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Com a medida, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é obrigada a reduzir o ritmo de captação, ficando autorizada a retirar até 27 metros cúbicos de água por segundo (m³/s), valor inferior à capacidade total do sistema.

Além de contar com a vazão transposta da Usina Hidrelétrica Jaguari, da Bacia do Rio Paraíba do Sul. 

Setembro representa tradicionalmente a reta final do período mais seco do ano no Sudeste, e a expectativa dos técnicos é que a recuperação dos níveis comece a partir de outubro, mês que marca o início do ano hidrológico, quando o volume de precipitações costuma aumentar significativamente.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Solos secos barram a recuperação das represas

Um dos fatores que explicam o ritmo lento de recuperação da Cantareira é a discrepância entre o volume de chuva e a vazão natural, que é a quantidade de água que efetivamente consegue chegar até os reservatórios.

Ao longo deste ano, a vazão que alimentou as represas ficou abaixo da média histórica em quase todos os meses, com exceção de fevereiro.

Mesmo em períodos nos quais os acumulados de chuva superaram a média mensal, como ocorreu no mês de junho, o solo extremamente ressecado fez com que a água ficasse retida na terra sem fluir para o manancial. 

Temporais de curta duração, cada vez mais frequentes em decorrência das mudanças climáticas, têm se mostrado pouco eficazes para abastecer o sistema. A preocupação das autoridades agora se volta para as projeções climáticas para os próximos meses. 

A elevação das temperaturas acima da média, associada aos efeitos climáticos previstos, pode acelerar a evaporação e impulsionar o consumo de água na região metropolitana, exigindo cautela reforçada da população até a chegada consolidada das chuvas de primavera e verão.

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