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STF decide nesta semana futuro da regulação das redes e julgamento das big techs ganha destaque

Entre 29 de maio e 9 de junho, o STF avaliará recursos que questionam a ampliação da responsabilidade das plataformas por conteúdos ilícitos.  |  Foto: Reprodução/Gov BR

Publicado em 24/05/2026, às 15h30   Foto: Reprodução/Gov BR   Fernanda Montanha

O Supremo Tribunal Federal deve analisar, entre 29 de maio e 9 de junho, recursos apresentados por empresas de tecnologia contra a decisão que ampliou a responsabilidade das plataformas por conteúdos ilícitos publicados por usuários.

Google e Facebook estão entre as companhias que pedem esclarecimentos sobre a aplicação das novas regras, definidas durante o julgamento do Marco Civil da Internet.

A apreciação ocorrerá no plenário virtual da Corte, modelo em que os ministros registram seus votos de forma eletrônica, sem discussões presenciais, segundo a CNN.

O tema volta à pauta após a decisão do STF, tomada em junho do ano passado por 8 votos a 3, que modificou o entendimento sobre a responsabilização das empresas digitais.

O que as empresas questionam

Na decisão original, o Supremo considerou parcialmente inconstitucional o trecho do Marco Civil que condicionava a responsabilização das plataformas ao descumprimento de uma ordem judicial.

Com isso, as empresas passaram a poder responder judicialmente em mais situações, inclusive após notificações extrajudiciais, dependendo do caso analisado.

Nos recursos, as gigantes da tecnologia argumentam que ainda existem pontos sem definição clara. O Facebook solicita esclarecimentos sobre a data de início da validade das novas exigências e pede um período mínimo de 6 meses para adaptação às obrigações relacionadas à moderação de conteúdo e transparência.

A empresa também defende que a responsabilização ocorra apenas em casos de conteúdos considerados manifestamente ilícitos. Segundo a argumentação apresentada, a medida ajudaria a evitar remoções excessivas e possíveis impactos à liberdade de expressão.

Já o Google pede que o STF estabeleça critérios mínimos para notificações extrajudiciais. Entre as sugestões estão a identificação do denunciante, a indicação exata do conteúdo contestado e a apresentação de justificativas sobre a suposta ilegalidade da publicação.

Decretos do governo geram reação

A análise dos recursos foi marcada no mesmo dia em que o presidente Lula assinou decretos que endurecem a regulamentação das plataformas digitais. Um dos textos atualiza regras do Marco Civil da Internet para adequá-las ao entendimento firmado pelo STF, além de ampliar a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados na fiscalização do setor.

As novas normas determinam mecanismos para resposta rápida a conteúdos ligados a terrorismo, automutilação, discriminação racial, violência contra mulheres, crimes sexuais e tráfico de pessoas. Também preveem responsabilização em casos relacionados a publicidade impulsionada, golpes e fraudes digitais.

Debate político e críticas

As medidas provocaram reação de parlamentares da oposição, que apresentaram ao menos 24 Projetos de Decreto Legislativo com o objetivo de suspender os atos do governo. Os críticos alegam que as mudanças criam instrumentos de controle das redes sociais sem aprovação do Congresso Nacional.

Por outro lado, aliados do Palácio do Planalto afirmam que os decretos apenas regulamentam aspectos já definidos pelo STF e reforçam mecanismos de proteção aos usuários.

No debate jurídico, especialistas apontam que alguns conceitos presentes nas normas podem gerar interpretações divergentes, especialmente pela ausência de definições mais específicas para determinados termos utilizados no texto.

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