Política

Substância brasileira vira febre nas redes após paciente tetraplégico voltar a andar; entenda o tratamento

Polilaminina é promessa da ciência brasileira contra lesão medular aguda, mas ainda não passou por testes clínicos regulatórios completos  |  Foto: Unsplash.

Publicado em 20/02/2026, às 12h27   Foto: Unsplash.   Bianca Novais

Vídeos de pacientes com lesão medular treinando em academias colocaram a polilaminina no centro das redes sociais. A substância, recriada em laboratório a partir da laminina, uma proteína presente no corpo humano, passou a ser associada à recuperação de movimentos após traumas na medula espinhal.

Segundo reportagem do g1, o caso que mais chamou atenção foi o de um paciente que sofreu acidente em 2018, recebeu a aplicação da substância e hoje pratica musculação.

O episódio impulsionou debates sobre ciência nacional, acesso judicial ao tratamento e expectativas de uma possível revolução terapêutica.

Como ela age

A medula espinhal funciona como uma via de comunicação entre cérebro e corpo. Quando ocorre uma lesão, os axônios (prolongamentos dos neurônios) se rompem, e o próprio organismo forma uma cicatriz que dificulta a reconexão.

A proposta da polilaminina é atuar como uma “ponte microscópica” no local do trauma. Aplicada durante cirurgia, ela cria uma estrutura que pode orientar o crescimento de novas conexões nervosas, favorecendo a recuperação de movimentos em casos de lesão medular aguda, ou seja, recente.

Estudos em animais mostraram resultados positivos. Em humanos, um estudo preliminar com oito pacientes apontou níveis variados de recuperação motora, alguns com evolução discreta, outros com melhora significativa. Os dados, porém, ainda não passaram por revisão por pares, etapa considerada essencial para validação científica.

A ex-atleta Laís Souza e a doutora Tatiana Sampaio, que desenvolveu a molécula polilaminina. Foto: Reprodução/Instagram @lalikasouza.

A pesquisadora Tatiana Sampaio, que lidera o trabalho, classifica os resultados como “estimulantes”, mas ressalta que ainda não é possível afirmar eficácia. Amostras pequenas e diferentes tipos de lesão dificultam conclusões definitivas.

Especialistas também lembram que até 30% dos pacientes com lesão medular aguda podem recuperar algum grau de movimento espontaneamente, dependendo das características do trauma.

Não há evidências de que a substância funcione em lesões crônicas.

O que falta?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, em janeiro, o início da fase 1 dos ensaios clínicos regulatórios, uma etapa voltada à avaliação de segurança em pequeno grupo. O estudo ainda aguarda trâmites éticos para começar.

Se a segurança for comprovada, a substância seguirá para fases maiores, que analisam eficácia, dose adequada e possíveis efeitos adversos. Só após esse percurso poderá solicitar registro sanitário.

Enquanto isso, cerca de 40 ações judiciais pediram acesso ao tratamento. Dezenove aplicações já ocorreram em regime de uso compassivo, fora de ensaio clínico formal.

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