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Temperaturas em SP sobem além da média mundial

Pesquisadores apontam avanço do calor urbano e relacionam cenário à expansão das áreas urbanizadas  |  Foto: Unsplash/Vitor Mendes Stafusa

Publicado em 16/05/2026, às 14h16   Foto: Unsplash/Vitor Mendes Stafusa   Andrezza Souza

As temperaturas registradas em São Paulo vêm aumentando em um ritmo superior ao observado na média global, cenário que acendeu um novo alerta entre pesquisadores sobre os impactos das mudanças climáticas e do crescimento urbano na capital paulista.

Estudos conduzidos por pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) identificaram que tanto as temperaturas máximas quanto as mínimas apresentaram crescimento expressivo nas últimas décadas, especialmente a partir da segunda metade do século passado.

Os dados foram apresentados pelo professor Humberto Ribeiro da Rocha durante um encontro promovido pela FAPESP e pela Organização Neerlandesa para Pesquisa Científica (NWO), voltado à discussão dos impactos de eventos climáticos extremos nas cidades.

Urbanização intensificou o calor

Segundo os pesquisadores, parte desse avanço está relacionada ao crescimento urbano acelerado e à substituição de áreas verdes por materiais como asfalto, concreto e grandes construções. Esse cenário favorece a formação das chamadas ilhas de calor urbanas, fenômeno em que áreas mais adensadas concentram temperaturas significativamente maiores.

A retenção do calor por estruturas urbanas altera a dinâmica climática e faz com que determinadas regiões permaneçam aquecidas por mais tempo ao longo do dia e da noite.

Diferença entre áreas verdes e regiões urbanizadas chama atenção

Pesquisas desenvolvidas pelo Centro para Segurança Hídrica e Alimentar em Zonas Críticas (CCD), apoiado pela FAPESP, analisaram cidades paulistas e identificaram contrastes importantes entre áreas urbanizadas e locais com maior cobertura vegetal.

Durante o verão, regiões mais críticas da Grande São Paulo chegaram a registrar temperaturas próximas de 60°C na superfície. Já locais com vegetação e presença de corpos d’água apresentaram temperaturas próximas de 25°C.

Os estudos também apontaram diferenças entre áreas quentes e frias que chegaram a variar vários graus durante os períodos de maior calor.

Noites mais quentes preocupam pesquisadores

Outro fator destacado envolve o comportamento das temperaturas durante a noite. Em parceria com o projeto municipal Sampa Adapta, pesquisadores passaram a monitorar ruas, residências e escolas para medir os impactos das ondas de calor na Região Metropolitana.

Os resultados mostraram que temperaturas elevadas passaram a se manter mesmo após o anoitecer. Em muitos casos, o calor acumulado permanece dentro das construções por mais tempo.

Segundo os pesquisadores, edificações com pouca proteção térmica podem reter calor e dificultar o resfriamento dos ambientes, afetando diretamente o conforto da população.

Solução pode estar na vegetação

Especialistas da USP apontam que a ampliação da cobertura vegetal aparece como uma das alternativas mais promissoras para reduzir os impactos do calor extremo.

Os estudos indicam que áreas arborizadas podem gerar resfriamento significativo em ruas e regiões urbanas, contribuindo para amenizar temperaturas e melhorar a qualidade ambiental nas cidades.

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