Política
Publicado em 24/06/2026, às 16h41 Foto: Gustavo Moreno/STF Amanda Ambrozio
O plenário do Superior Tribunal Militar (STM) decidiu, por unanimidade, manter o ministro Joseli Parente Camelo na análise do processo que pode resultar na perda da patente de capitão reformado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Por 14 votos a 0, os magistrados rejeitaram o recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro, que pedia o afastamento do brigadeiro sob alegação de falta de imparcialidade.
A defesa de Bolsonaro baseava o pedido de suspeição em duas frentes principais: entrevistas concedidas por Camelo em 2023, nas quais defendeu a condenação de envolvidos em tramas antidemocráticas, e o histórico profissional do ministro.
Segundo o SBT News, ele atuou como comandante do avião presidencial durante as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A relatora do caso e presidente da Corte, ministra Maria Elizabeth Rocha, rebateu as alegações afirmando que as declarações anteriores de Camelo foram estritamente técnico-jurídicas e genéricas, sem menção direta a Bolsonaro ou ao processo em curso.
Segundo a ministra, os argumentos da defesa não apresentaram suporte fático convincente para afastar o magistrado ou colocar em xeque sua neutralidade institucional.
As alegações do agravante não mostraram embasamento mínimo de aptidão para afastar do julgamento da representação de indignidade”, afirmou.
O procedimento em trâmite no STM foi aberto após a condenação criminal de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão.
A Corte Militar, contudo, não revisa o mérito da sentença do STF, se limitou a avaliar se a conduta do ex-presidente fere a ética, a honra e o decoro exigidos de um oficial das Forças Armadas.
Caso o tribunal declare que a conduta foi inadequada, Bolsonaro perderá formalmente o posto de capitão reformado.
Na mesma sessão, o tribunal também analisou um pleito da defesa do ex-chefe da Marinha, almirante Almir Garnier Santos.
Por 10 votos a 4, os ministros decidiram manter a decisão da relatora Verônica Abdalla Sterman, que havia negado pedidos de novas diligências documentais e produção de provas no processo que envolve o militar.
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