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"Dark Horse": Ancine deverá multar produtora do filme sobre Jair Bolsonaro

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"Dark Horse" conta a história de Jair Bolsonaro e teria sido produzido sem as devidas permissões da agência reguladora; multa pode chegar a R$ 100 mil  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Instagram
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 06/08/2026, às 13h35



A Agência Nacional do Cinema (Ancine) instaurou um processo administrativo para investigar a produtora Go Up Entertainment por possíveis irregularidades durante as gravações de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o órgão, a empresa realizou filmagens no Brasil sem a comunicação prévia obrigatória para produções estrangeiras.

A Ancine informou que tentou contato com a produtora em duas ocasiões para solicitar esclarecimentos, mas não obteve resposta.

Com isso, foi lavrado um auto de infração e aberto prazo para apresentação de defesa. Caso a irregularidade seja confirmada ao fim do processo, a empresa poderá ser multada em valores entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.

Ancine aponta descumprimento de exigências legais

De acordo com a legislação brasileira, produtoras estrangeiras que pretendem filmar em território nacional devem comunicar previamente a Ancine, apresentando contratos firmados com empresas brasileiras e um plano detalhando as atividades que serão realizadas no país.

Segundo a agência, esse procedimento não foi cumprido pela Go Up Entertainment.

De acordo com a CNN Brasil, a empresa tem sede na Califórnia, nos Estados Unidos, e, por isso, o filme é enquadrado como obra audiovisual estrangeira.

Em nota, a Ancine afirmou que o processo ainda está em andamento e que não antecipará conclusões sobre o mérito da investigação.

O órgão informou que os resultados serão divulgados após a conclusão da apuração e reiterou o compromisso com a transparência e a regularidade do setor audiovisual.

Foto: Reprodução/Dark Horse
Foto: Reprodução/Dark Horse

Filme esteve no centro de crise política

"Dark Horse" ganhou repercussão nacional em maio, após uma reportagem revelar conversas entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre um aporte de aproximadamente R$ 134 milhões para financiar a produção.

No mesmo período, Karina Gama Ferreira, sócia da Go Up Entertainment, passou a ser investigada pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apura supostas fraudes na licitação do programa Wi-Fi Livre SP, da Prefeitura de São Paulo.

A produtora foi procurada para comentar o processo administrativo, mas ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Produção reúne elenco internacional

Dirigido pelo norte-americano Cyrus Nowrasteh, que também assina o roteiro ao lado de Mark Nowrasteh e do deputado federal Mário Frias (PL-SP), "Dark Horse" acompanha a trajetória política de Jair Bolsonaro, incluindo a campanha presidencial de 2018 e o atentado sofrido durante o período eleitoral.

O elenco é liderado por Jim Caviezel e conta ainda com Lynn Collins, Esai Morales e Felipe Folgosi, que interpreta um policial federal.

O diretor define a produção como um "thriller político" centrado em temas como poder, mídia e religião.

A estreia está prevista para ocorrer entre novembro e dezembro de 2026.

Inicialmente planejado para antes das eleições, o lançamento passou a ser reavaliado pela produtora, que atribui a possível mudança ao cronograma de divulgação e às negociações com distribuidoras norte-americanas.

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