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Nesta quinta-feira (29), é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, uma data que vai além da comemoração: é um chamado à reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres lésbicas, desde o preconceito até o apagamento histórico de suas histórias.
A data foi criada em 1996, durante o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE), no Rio de Janeiro. O evento marcou um ponto crucial na luta por direitos, inclusão e saúde, além de consolidar o movimento lésbico no país.
Visibilidade é resistência.
Ao longo dos anos, a ficção muitas vezes apresentou relações lésbicas de forma superficial, hipersexualizada ou estereotipada. Hoje, entretanto, a cultura pop vem mudando: livros, filmes e séries trazem personagens lésbicas complexas, com afetos, desejos e dores reais, na mesma intensidade de narrativas LGBTQ+ masculinas, segundo o GSHOW.
‘Fun Home’, Alison Bechdel (2006)
A graphic novel narra a infância da autora e sua relação com o pai, explorando identidade, luto e sexualidade com humor agridoce. Adaptada para o musical da Broadway, recebeu cinco Tony Awards e se tornou referência em protagonismo lésbico.
‘A Cor Púrpura’, Alice Walker (1982)
A história de Celie, mulher negra que enfrenta racismo e violência, encontra afeto e amor em Shug Avery. Lançado em 1982, o livro desafiou a invisibilidade de mulheres lésbicas negras. Foi adaptado para cinema em 1985 e revitalizado em 2005 e 2023 na Broadway e no cinema.
‘Azul é a Cor Mais Quente’, Julie Maroh (2010)
HQ sobre a descoberta do amor entre Clémentine e Emma na França dos anos 1990. A adaptação de 2013 ganhou a Palma de Ouro, mas foi criticada por hiperssexualizar a relação, alterando o olhar sensível da obra original.
‘Retrato de Uma Jovem em Chamas’, Céline Sciamma (2019)
Ambientado no século XVIII, acompanha a relação silenciosa e intensa entre Marianne e Héloïse, com destaque ao female gaze, valorizando o afeto feminino sem voyeurismo masculino.
‘San Junipero’ – Black Mirror (2016)
O episódio mostra Yorkie e Kelly em um romance digital, explorando amor, mortalidade e liberdade emocional, em uma narrativa sensível e delicada, rompendo com o tom sombrio da série.
Outras referências incluem ‘Carol’, ‘É Assim que Se Perde a Guerra no Tempo’, ‘Trilogia Marcellina’, ‘Girls Like Girls’ e a série ‘The L Word’, cada uma abordando sexualidade, luto, amizade e resistência de maneiras distintas e inspiradoras.
Celebrar visibilidade é reconhecer a pluralidade e a força das mulheres lésbicas na cultura e na sociedade.
Classificação Indicativa: Livre