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O festival Time Warp Brasil anunciou que pretende estender suas apresentações para além do amanhecer na próxima edição, prevista para os dias 1º e 2 de maio, no Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo.
A decisão contraria uma orientação recente da Prefeitura de São Paulo, que passou a limitar o encerramento de eventos no local até 23h. A programação divulgada indica música eletrônica ao longo da madrugada, com a participação de 30 DJs distribuídos em 2 dias.
A mudança de postura do poder público ocorreu após sucessivas reclamações de moradores do entorno. Um levantamento publicado pelo g1, a partir de dados do Diário Oficial, mostrou que 14 dos 20 eventos privados realizados no espaço em 2025 avançaram madrugada adentro.
O histórico de descumprimento do horário pesou para a adoção de regras mais rígidas, segundo a administração municipal.
Na terça-feira (3), a Prefeitura de São Paulo notificou a concessionária Viva o Vale, responsável pela gestão do Anhangabaú desde 2021, pedindo esclarecimentos sobre a divulgação do Time Warp.
O material promocional do festival aponta horários incompatíveis com o limite estabelecido. A Secretaria Municipal das Subprefeituras condicionou qualquer autorização ao cumprimento do horário e das medidas de mitigação de incômodos, conforme registrado em documento oficial.
A concessionária foi procurada para comentar o caso, mas não se manifestou até a publicação. Mesmo sem as licenças municipais formalizadas, os ingressos para o Time Warp 2026 estão à venda desde dezembro. Atualmente, a meia-entrada para os 2 dias custa R$ 520. A comercialização antecipada ocorre em meio a incertezas sobre a liberação do evento, o que amplia o impasse.
A Entourage, produtora responsável pelo festival, mantém parceria frequente com a Viva o Vale e já realizou diversas festas de música eletrônica no local após a concessão.
Em dezembro, promoveu um show do DJ alemão Boris Brejcha. Durante a apresentação, fiscais do Programa do Silêncio Urbano identificaram níveis de ruído acima do permitido. A ocorrência resultou em uma autuação orientativa aplicada à produtora.
Dias depois, a prefeitura multou a Viva o Vale, classificando o episódio como infração contratual grave. A penalidade prevista corresponde a 1% do valor do contrato de concessão, estimado em R$ 55 milhões.
A fiscalização foi realizada após determinação do Ministério Público de São Paulo, que abriu 2 inquéritos para apurar denúncias de poluição sonora no Anhangabaú, segundo o G1.
Em sua defesa prévia, a concessionária contestou a multa. A Viva o Vale argumentou que a responsabilidade direta pelos ruídos é da produtora e que as medições do Psiu apresentaram falhas técnicas.
Também afirmou ter adotado medidas para reduzir o impacto sonoro e sustentou que sua conduta foi adequada. Segundo a empresa, cláusulas contratuais foram usadas para exigir o cumprimento das normas, cabendo ao poder concedente avaliar a autorização do evento.
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