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Gusttavo Lima é condenado após expulsar mulher de show em Fortaleza (CE)

Cantor Gusttavo Lima
Espectadora foi retirada do show por ordem de Gusttavo Lima após ser acusada de jogar garrafa de água no palco durante Réveillon de 2022 para 2023  |   BNews SP - Divulgação Cantor Gusttavo Lima - Foto: Reprodução/Instagram
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 07/10/2026, às 07h42



O cantor Gusttavo Lima foi condenado pela Justiça do Piauí a pagar R$ 5 mil por danos morais a uma mulher que foi repreendida e retirada de um show de Réveillon em Fortaleza, no Ceará.

A empresa Marina de Iracema Park S.A., responsável pelo Marina Park Hotel, onde ocorreu a apresentação, também foi condenada de forma solidária.

A sentença foi assinada em 30 de setembro pelo juiz Carlos Marcello Sales Campos, da 2ª Vara da Comarca de Campo Maior. O episódio aconteceu durante a virada de 2022 para 2023, quando Gusttavo interrompeu a apresentação e acusou a espectadora Virginia Carla Bandeira Torres Nogueira de jogar água em direção ao palco.

A Justiça entendeu que o artista poderia adotar medidas para garantir a segurança do show, mas considerou que a maneira como identificou e repreendeu a mulher diante do público ultrapassou os limites necessários e configurou abuso de direito.

Segundo o portal Metrópoles, a sentença também levou em conta a repercussão das imagens nas redes sociais e as ofensas que Virginia passou a receber.

Gusttavo Lima acusou mulher de jogar água no palco

Durante a apresentação, Gusttavo Lima interrompeu o show para se dirigir à espectadora. Pelo microfone, afirmou que ela havia jogado água em sua direção repetidas vezes e a chamou de "sem educação".

"Você jogou água em mim uma, duas, três vezes. Estou tratando você com o maior carinho. Isso é sacanagem o que você está fazendo", afirmou o cantor.

Na sequência, Gusttavo pediu que a mulher fosse retirada do evento.

"Pode tirar ela do evento. Se você quiser seu ingresso de volta, eu te pago. Eu vim aqui para cantar, fazer alegria, e a pessoa está jogando bebida", disse.

O momento foi gravado por pessoas que estavam na apresentação e posteriormente compartilhado nas redes sociais, ampliando a exposição da espectadora.

Mulher afirmou ter sido exposta de forma vexatória

Virginia Nogueira alegou na ação que foi retirada do evento de maneira vexatória e que a situação provocou constrangimentos, ataques virtuais e abalos psicológicos.

Na época, a arquiteta também publicou nas redes sociais uma manifestação sobre o episódio. Segundo o relato apresentado no processo, ela havia se incomodado com a conotação política dada ao show e fez o gesto de "L" com a mão, em referência ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A publicação não está mais disponível nas redes sociais de Virginia.

Após o episódio, ela afirmou ter sido alvo de hostilidades não apenas na internet, mas também presencialmente e em sua cidade. A Justiça considerou que a grande projeção nacional de Gusttavo Lima potencializou os efeitos da exposição.

Defesa alegou que retirada foi questão de segurança

Durante o processo, a defesa de Gusttavo Lima sustentou que a retirada da mulher foi uma medida necessária de segurança após o suposto arremesso reiterado de garrafas ou bebidas em direção ao palco.

Os advogados alegaram ainda culpa exclusiva da vítima e ausência de ato ilícito por parte do cantor.

A administração do Marina Park Hotel também tentou afastar sua responsabilidade. A empresa argumentou que apenas havia cedido o espaço físico para a realização do evento, por meio de contrato de locação com a organizadora.

No entanto, a Justiça reconheceu a responsabilidade solidária do estabelecimento pelo dano causado à espectadora.

Justiça reconheceu abuso, mas fixou indenização de R$ 5 mil

Na sentença, o juiz Carlos Marcello Sales Campos considerou que a organização do evento tinha legitimidade para adotar medidas destinadas a preservar a segurança.

O problema, segundo a decisão, foi a forma utilizada pelo cantor para lidar com a situação.

Para o magistrado, a exposição da mulher diante da plateia, feita por um artista de grande projeção nacional e posteriormente ampliada pelas redes sociais, ultrapassou o limite do necessário.

Virginia havia pedido R$ 500 mil por danos morais, mas a Justiça fixou a indenização em R$ 5 mil.

Também foram rejeitados pedidos de ressarcimento de despesas com ingresso, hospedagem, deslocamento e alimentação, além de uma indenização de R$ 50 mil por supostos prejuízos profissionais, por falta de comprovação suficiente dos danos materiais.

Defesa de Virginia vai recorrer

Em nota, o advogado Décio Mota, que representa Virginia, afirmou que a defesa considera a indenização insuficiente e pretende recorrer para tentar aumentar o valor.

"Embora a Justiça tenha reconhecido a conduta abusiva e a responsabilidade solidária do cantor e do Hotel Marina Parque pelo grave abalo psicológico e moral sofrido pela mulher — que passou a ser hostilizada no show, na internet e em sua própria cidade —, a defesa considerou o valor da indenização fixado na sentença excessivamente baixo e aquém do pleiteado", afirmou.

A defesa de Gusttavo Lima não se manifestou sobre a sentença. A condenação ainda pode ser questionada por meio dos recursos cabíveis.

Classificação Indicativa: Livre

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