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O episódio 4 de "O Cavaleiro dos Sete Reinos" trouxe mais do que tensão e combate. Uma breve hesitação de Dunk diante de uma simples pergunta foi suficiente para transformar uma teoria antiga em algo quase explícito.
A série da HBO parece ter abandonado a sutileza dos livros para sugerir que o protagonista carrega um segredo incômodo: talvez ele nunca tenha sido, de fato, nomeado cavaleiro.
A teoria, analisada originalmente por Ramon Vitor para o portal O Vício, circula entre leitores de "Dunk & Egg" há anos, mas agora ganha força no audiovisual.
Nos livros de George R. R. Martin, a possível “falsa cavalaria” de Dunk é tratada com ambiguidade. Não há testemunhas de sua nomeação por Sor Arlan de Centarbor, e o autor nunca confirmou se o ritual realmente aconteceu. A dúvida, porém, nunca foi central.
Martin usa o tema para questionar o valor simbólico dos títulos: ser cavaleiro tem mais a ver com caráter do que com palavras ditas sobre uma espada. A série, por outro lado, parece disposta a ir além dessa reflexão filosófica.
O momento-chave ocorre quando Dunk enfrenta um Julgamento de Sete, acusado pelo príncipe Aerion Targaryen. Para provar sua inocência, ele precisa reunir sete cavaleiros dispostos a lutar ao seu lado. Após uma traição de última hora, o grupo fica incompleto.
É então que Raymun Fossoway se oferece para lutar, desde que seja nomeado cavaleiro ali mesmo. O pedido expõe Dunk de forma brutal.
Pressionado, Dunk hesita. Quando Sor Lyonel Baratheon afirma que “apenas um cavaleiro pode nomear outro cavaleiro”, Dunk chega a levar a mão à espada, mas seu braço recua, como se o próprio corpo rejeitasse a mentira.
A cena é curta, mas poderosa. A dúvida não está mais apenas no olhar do espectador: ela se manifesta fisicamente no personagem. No fim, Raymun é nomeado por Lyonel, enquanto Dunk é poupado pela interrupção do chamado ao combate.
Não está claro até que ponto George R. R. Martin participou dessa escolha narrativa. O que fica evidente é que a série parece mais interessada em escancarar o mistério do que o próprio autor jamais foi. Ao fazer isso, "O Cavaleiro dos Sete Reinos" transforma uma nuance literária em um conflito interno.
Classificação Indicativa: Livre