Entretenimento
Imagine encontrar, em um parque, pessoas vestidas e agindo como cães: pulando, brincando, latindo e interagindo entre si antes de voltarem para casa “de quatro”. A cena pode parecer inusitada, mas representa um grupo que cresce em diferentes países: os terianos.
Segundo reportagem de O Globo, os chamados “therians” são pessoas que se percebem parcialmente como animais e afirmam ter uma conexão profunda com a espécie com a qual se identificam. Diferentemente dos "furries", que utilizam fantasias como forma de cosplay, os terianos descrevem essa identificação como parte de quem são.
A definição moderna surgiu nos anos 1990, quando comunidades online começaram a reunir pessoas que se identificavam como elfos, sob o termo “otherkin”. Posteriormente, a classificação evoluiu para “therian”, voltada especificamente a quem se reconhece como humano com identidade parcial animal.
A palavra tem raízes antigas: deriva dos termos gregos ther (fera) e anthropos (ser humano), associados à ideia de híbridos humano-animal presentes em mitologias há séculos.
Muitos integrantes da comunidade relatam que a identificação começou ainda na infância, com a sensação de que lhes faltavam partes do corpo como orelhas, caudas ou focinhos. Até agora, predominam relatos de identificação com mamíferos: cães, gatos e raposas estão entre os mais comuns.
Há também quem se identifique com animais extintos, criaturas fictícias ou seres considerados míticos. Em fóruns online, membros explicam que a teriantropia não é vista como escolha, e que não seria possível decidir qual “tipo” de teriano alguém é.
Veja:
@pekka_pawz Tutorial for beginners! Walk, Trot and Run/Gallup 🐾✨ #tutorial #quadrobics #fyp #therian #therianthropy ♬ The Adults Are Talking - The Strokes
Durante anos, pessoas com essa identificação viveram de forma isolada. O cenário mudou com o surgimento das salas de bate-papo e comunidades virtuais, que facilitaram a formação de grupos dedicados a furries e terianos.
Em 2023, um caso ganhou repercussão internacional quando um japonês que vive como um cão da raça collie viralizou nas redes, reacendendo o debate sobre o tema.
Relatórios citados pela imprensa americana indicam que furries não apresentam taxas maiores de ansiedade, depressão ou outros transtornos de humor em comparação com a população geral. Também não há maior incidência de TDAH ou uso de medicação psicotrópica nesse grupo.
Até o momento, porém, não existem pesquisas específicas que determinem se terianos apresentam ou não algum transtorno mental. A classificação diagnóstica é evitada, e o fenômeno é descrito, por integrantes da comunidade, como uma forma de viver e se expressar que não implica, necessariamente, distorções da realidade nem prejuízo a terceiros.
Classificação Indicativa: Livre