Farinha Lima

Choque divino

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Da meteorologia à teologia, um raio virou sinal divino enquanto os bombeiros lidavam com feridos e a realidade insistia em ser menos mística.  |   BNews SP - Divulgação Foto: Imagem gerada por IA
Farinha Lima

por Farinha Lima

Publicado em 28/01/2026, às 07h00



O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) resolveu dar contornos místicos a um episódio grave ao divulgar um vídeo em que o coach religioso Lamartine Posella atribui à “vontade divina” o raio que atingiu participantes da “Caminhada pela Liberdade”, em Brasília, no domingo (25).

No registro, Posella descarta explicações meteorológicas e fala em “batalhas espirituais” perceptíveis apenas a quem teria “discernimento”, enquanto o Corpo de Bombeiros contabilizou 89 pessoas socorridas, 47 levadas a hospitais e 11 em estado que exigiu atendimento mais complexo.

O incidente ocorreu por volta das 13h, na Praça do Cruzeiro, durante a concentração final da caminhada promovida por Nikolas, que reuniu cerca de 18 mil apoiadores, segundo levantamento da USP e da ONG More in Common. Para o coach, apesar dos feridos, o saldo teria sido positivo.

Cálculo eleitoral

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Sob pressão em São Paulo e em meio ao desgaste com o bolsonarismo, o governador Tarcísio de Freitas resolveu fazer um aceno bem calculado à centro-direita paulista ao trocar o comando da Casa Civil, pasta estratégica para a liberação de emendas e convênios.

No auge da crise gerada após cancelar uma visita a Jair Bolsonaro na Papuda, Tarcísio retirou o amigo de infância Arthur Lima e colocou no lugar Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, com a missão de destravar pagamentos em até 60 dias.

A leitura nos bastidores é de que o gesto tem mais cara de campanha à reeleição do que de voo presidencial, numa tentativa de recompor palanques locais enquanto a aliança com os bolsonaristas dá sinais de cansaço. 

Prêmio fantasma

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O empresário Renato Bolsonaro, irmão mais novo de Jair Bolsonaro, virou protagonista de um episódio digno de nota fiscal extraviada: acertou a quadra da Mega da Virada, ganhou R$ 216, mas descobriu ao tentar sacar o prêmio em uma lotérica de Miracatu que o dinheiro já havia sido retirado por alguém — mistério que nem a sorte explica.

Renato classificou o caso como “estranho” e apontou falhas no sistema da Caixa, que, fiel ao protocolo, afirmou não divulgar dados de ganhadores e garantiu que prêmios só são pagos com o recibo original.

O detalhe final é que a família Bolsonaro mantém tradição em bolões da Mega-Sena, organizados por Renato, que agora soma à lista uma derrota inesperada para o sistema lotérico.

Terror burocrático

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Antes de virar alvo de liquidação e investigação, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já havia se apresentado a Lula como o “incômodo” da Faria Lima, o homem que dizia chegar para mudar o sistema financeiro.

O discurso foi feito em uma reunião no Planalto, no fim de 2024, articulada por Guido Mantega, com presença de Gabriel Galípolo e do ex-sócio Augusto Lima — encontro que nem entrou na agenda oficial.

Meses depois, em novembro de 2025, o roteiro ganhou outro tom: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e a Polícia Federal avançou com a Operação Compliance Zero, dando ao “terror do mercado” um final bem menos heroico e bem mais burocrático.

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