Farinha Lima

O arquiteto baiano, o pagodeiro e o omakase

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O arquiteto baiano e o pagodeiro se reuniram para jantar em um dos restaurantes japoneses mais caros de São Paulo  |   BNews SP - Divulgação Imagem criada por IA
Farinha Lima

por Farinha Lima

Publicado em 15/04/2026, às 07h00 - Atualizado às 07h30



Num dos restaurantes japoneses mais caros de São Paulo, dois baianos famosos se reuniram para jantar. De um lado, um arquiteto renomado. Do outro, um cantor de pagode extremamente conhecido. O assunto oficial da mesa era o projeto da nova casa que a esposa do pagodeiro fez questão de comprar, mesmo com o marido protestando. Mas o clima que se viu não era exatamente de reunião profissional. Muita intimidade, risos largos, olhares demorados e um tipo de cumplicidade que extrapolava a conversa sobre plantas baixas e acabamentos. Outro famoso baiano, que também estava no mesmo restaurante, presenciou a cena e não conseguiu disfarçar a surpresa. Dizem que, se a esposa do pagodeiro tivesse visto o encontro, ficaria com sérias dúvidas sobre o passado do marido.

Surpresa em São Paulo

São Paulo é destino certo de empresários baianos que vão “fazer negócios”. A desculpa de sempre: “a reunião vai terminar muito tarde, amor”. Na semana passada, uma esposa soteropolitana resolveu fazer uma surpresa ao maridão empreiteiro. Chegou sem avisar no apartamento que ele usa na capital paulista e ficou aguardando. O marido, achando que tinha pista livre, resolveu levar uma “visitinha do job” para o apartamento. Quando abriu a porta, deu de cara com a esposa. O vexame foi completo. Os três amanheceram na Delegacia da Polícia Civil de São Paulo. Registro de ocorrência, constrangimento público e a esposa furiosa. O empresário agora tenta explicar o inexplicável. A esposa quer explicação. E a moça do job só queria trabalhar.


Os Engomadinhos em SP

Os Engomadinhos em SP
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Salvador exportou para São Paulo uma turma seleta de executivos baianos conhecidos como “os engomadinhos”: aqueles que não conseguem trabalhar sem o cabelo brilhando de gel, Ferragamo no pé, camisa de alfaiate com as iniciais gravadas. Uma vez por mês, o grupo se reúne numa casa de entretenimento masculino em São Paulo para “desestressar”. Quando retornam para suas amadas em Salvador, chegam recheados de doces da renomada Paty Piva e pelo menos uma bolsa da marca YSL. Mas na semana passada, um dos membros bebeu além da conta. Quando a esposa ligou, ele atendeu e não conseguiu desligar o telefone a tempo. A mulher ouviu tudo: risadas, música, vozes femininas e o tipo de conversa que não se tem em reunião de diretoria. Agora ela está pressionando e chantageando o marido: quer mais regalias, mais viagens, presentes mais caros, melhores e silêncio absoluto. Ameaça contar para as outras esposas dos engomadinhos se ele não ceder. O grupo inteiro está em pânico. Nao tem gel que segure tanto cabelo em pé.

Periguetes da Faria Lima

Periguetes da Farinha Lima
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Virou quase uniforme não oficial: salto alto, bolsa de grife parcelada e olhar treinado para identificar mesa com potencial financeiro em restaurantes badalados da Faria Lima. As chamadas “periguetes do mercado” já circulam com desenvoltura entre executivos e aspirantes a tubarões, dominando o timing do sorriso e o cardápio emocional do networking informal. Entre um drink caro e outro, o que se vê é menos romance e mais estratégia, numa espécie de pregão paralelo onde o ativo principal não está na bolsa, mas na mesa ao lado.

Memória seletiva

ciclovia como legado revolucionário
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Fernando Haddad resolveu apostar na nostalgia como estratégia eleitoral em São Paulo. Sem muito o que mostrar no presente que encante o eleitorado, a campanha já trata de reembalar o passado com filtro bonito nas redes sociais, vendendo ciclovia como legado revolucionário e ressuscitando Prouni e promessa de isenção de imposto como se fossem novidades fresquinhas. 

Agro friendly

De olho em votos onde historicamente encontra resistência, Haddad agora tenta fazer um aceno quase afetivo ao agronegócio. O mesmo setor que vive às turras com o PT virou, de repente, exemplo de modernidade, responsabilidade ambiental e compromisso com a saúde pública no discurso do ex-ministro. A conversão é tão rápida que parece milagre de campanha, daqueles que surgem a cada quatro anos e desaparecem logo depois das urnas fecharem.

A briga pela vice

Felício Ramuth garante que não há disputa nenhuma para a vice de Tarcísio, só um leve “interesse” de aliados em trocar o ocupante da vaga. Enquanto o PL de Valdemar Costa Neto puxa André do Prado para o posto, o próprio Ramuth tenta segurar a cadeira dizendo que o concorrente pode muito bem ir para o Senado, onde já tem até fila organizada.   

Circuito fechado
Os números da Receita Federal mostram que Daniel Vorcaro e o Banco Master não brincam em serviço quando o assunto é movimentar dinheiro entre fundos onde eles mesmos têm participação. Foram R$ 12,2 bilhões girando entre 2017 e 2025, com quase metade aterrissando em estruturas ligadas à Reag. Um belo exemplo de como fazer o dinheiro dar voltas… sempre pelos mesmos endereços.

Bolsa de nomes

Bolsa de nomes
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Na Faria Lima, onde todo boato vira ativo e toda especulação tenta virar tendência, a conversa da vez foi a possibilidade de trocar Lula por Fernando Haddad na disputa presidencial. O deputado Rui Falcão reagiu no modo ironia fina: se há tanta empolgação com Haddad, melhor “votar nele para governador de São Paulo”, como quem sugere recolocar o papel no portfólio certo. Falcão também mirou o que chamou de “entidade mercado financeiro”, sempre pronta a redesenhar cenários políticos como se fossem projeções de planilha. Disse que as narrativas de conflito entre Lula, Haddad e Gleisi Hoffmann não passam de exercícios de imaginação e lembrou que, em 2018, a mesma euforia não existia. No fim, segundo ele, pré-candidatura ainda é só isso: pré.

Faria Lima sensível

Em visita a Fortaleza, Lula resolveu calibrar o discurso no modo “franqueza com metáfora de impacto” e afirmou que Faria Lima “está put*” com ele. No raciocínio do presidente, o incômodo do mercado viria da escolha do governo em ampliar investimentos sociais, como o programa Pé-de-Meia, em vez de priorizar cortes de gastos. Na mesma fala, Lula ainda reforçou a ideia de que governar é decidir entre obras e “o prato de comida”. No meio do discurso, porém, o presidente também deixou escapar um daqueles tropeços verbais que viram combustível instantâneo de corte de vídeo: ao incentivar jovens na política, embaralhou a frase e acabou criando uma construção confusa sobre honestidade e participação. Entre uma agenda e outra, com ITA, MEC e passagem por Salvador no roteiro, ficou mais uma vez registrada a distância entre o Palácio e o andar financeiro da Faria Lima, onde até metáfora com temperatura alta já entra na curva de risco.

Conta de passagem

Conta de Passagem
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No universo onde contratos às vezes parecem ter mais imaginação do que substância, a Faria Lima ganha mais um capítulo com cheiro de planilha criativa. Documentos enviados à Receita e investigações da Polícia Federal apontam que uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro recebeu cerca de R$ 1,3 milhão do Banco Master, dentro de um arranjo que, segundo os investigadores, envolvia “serviços informais” e estruturas de consultoria de funcionamento pouco ortodoxo. No centro da engrenagem aparece a Varajo Consultoria, descrita pela PF como peça de “passagem” para repasses financeiros e usada na contratação de um ex-chefe do Banco Central, hoje investigado. A investigação aponta ainda para contratos simulados,
comunicações internas e pagamentos que circulariam dentro de uma lógica própria — onde o dinheiro sai como serviço, volta como reembolso e chega como explicação. No fim, a burocracia é formal, mas a narrativa parece sempre pedir uma segunda versão dos fatos.

Classificação Indicativa: Livre

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