Farinha Lima
por Farinha Lima
Publicado em 22/07/2026, às 07h00
O período eleitoral ainda nem começou oficialmente, mas Tarcísio de Freitas já ativou o modo “pistola”. Em convenção da Federação União Progressista, o governador chamou Fernando Haddad de “o melhor ministro da Economia do Paraguai”, mostrando que a língua está tão afiada quanto o palanque. A acidez, porém, não é exclusividade da oposição: nem a imprensa tem escapado das patadas do mandatário. Com a reeleição no horizonte, o gestor moderado parece ter dado lugar ao gladiador eleitoral. Se continuar assim, até outubro não faltarão adversários, frases de efeito e assessores tentando explicar que foi apenas “ironia”.
Tarcísio de Freitas anda “pistola” com a oposição e até com a imprensa, mas parece bem mais paciente com os resultados das privatizações nos trilhos paulistas. Nesta terça-feira (21), seu governo entregou mais três linhas da CPTM à iniciativa privada, deixando a estatal apenas com a Linha 10-Turquesa, justamente quando as falhas operacionais da rede cresceram 27% no primeiro semestre de 2026, com avanço desproporcional das panes nas linhas privatizadas. Diante dos números, nenhuma patada ou ironia: quando o trem da privatização sai dos trilhos, o governador prefere viajar no vagão do silêncio.
A Sabesp mal anunciou o reforço dos protocolos de segurança e já emplacou mais um vazamento de gás durante uma obra. Desta vez foi no Butantã. Antes, vieram República e Osasco. Se continuar nesse ritmo, vai faltar bairro na Grande São Paulo para completar a coleção. A empresa afirma que os serviços seguem os protocolos e que as causas serão investigadas. O curioso é que os vazamentos parecem ter criado uma rotina própria. Depois da privatização, a Sabesp prometeu eficiência. Por enquanto, o cronograma de incidentes anda mais pontual do que muita entrega de obra.
Flávio Bolsonaro resolveu dispensar a segurança da Polícia Federal na corrida ao Planalto. O motivo? Disse que não pretende correr o risco de ver "infiltrados" dentro da própria campanha. Em vez disso, pediu que os agentes sejam enviados para reforçar as investigações sobre as fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quando a desconfiança bate até em quem foi escalado para proteger, a blindagem passa a ser mais política do que física.
A decisão contraria o discurso de especialistas, que lembram que a estrutura da PF vai muito além de um comboio de carros blindados e escoltas. Inclui inteligência, monitoramento de ameaças e planejamento de risco em todo o país. Flávio, porém, diz confiar na Polícia do Senado, que o acompanha há oito anos. Pelo visto, na campanha de 2026, o primeiro filtro de segurança não será detector de metais. Será teste de confiança.
Jair Bolsonaro passou cerca de 36 horas enfrentando uma crise de soluços, precisou de reforço na medicação e viu o episódio ganhar registro em um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento informou que o quadro foi controlado, mas apontou que os medicamentos deixaram como efeito colateral sonolência e instabilidade no equilíbrio. Não bastou passar. O soluço ainda precisou ser protocolado.
Superada a crise, o ex-presidente permaneceu em prisão domiciliar, seguindo dieta, fisioterapia, exercícios e cuidados para evitar quedas e episódios de refluxo. Em Brasília, onde quase tudo acaba em papel timbrado, até 36 horas de "hic" conseguiram entrar para os registros oficiais.
A corrida presidencial começou a ganhar um ingrediente que político adora e marqueteiro vende como ouro: o empate técnico. A nova pesquisa mostra Lula colado em Flávio Bolsonaro e também em Ronaldo Caiado, estreando oficialmente a temporada em que todo mundo comemora o mesmo levantamento.
Flávio festeja porque a distância caiu. Caiado porque, pela primeira vez, apareceu numericamente à frente de Lula. Já o Planalto destaca que o presidente segue estável. Moral da história: a pesquisa conseguiu agradar praticamente todos os candidatos, mas ainda desafia os eleitores.
Depois de dias de esperança e doses generosas de pensamento positivo, o tarifaço americano finalmente desembarcou. Donald Trump confirmou uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas resolveu poupar justamente café e carnes… talvez para evitar que o café da manhã americano também entrasse em crise. O governo brasileiro quer espaço para negociação. Agora resta administrar a promessa americana de rever a decisão caso Brasília não resolva transformar a disputa comercial em campeonato de retaliações. A lição de Trump mostra que a tarifa vem acompanhada do tradicional “não leva para o lado pessoal”.
Depois de trocar Brasília por Orlando e o mandato pela residência permanente, Eduardo Bolsonaro ganhou oficialmente um green card. O documento garante uma vida estável nos Estados Unidos, acesso ao mercado de trabalho e até a possibilidade de cidadania no futuro. Só não garante voto nas eleições americanas, afinal, nem todo american dream vem completo.
A conquista também destaca um contraste curioso. Enquanto aliados seguem repetindo que Eduardo pretende voltar ao Brasil “quando as condições permitirem”, a papelada americana indica que, por via das dúvidas, é melhor deixar a mudança definitivamente desfeita. O ex-deputado continua dizendo que a estadia é circunstancial. O green card, porém, costuma trabalhar com prazos um pouco mais longos.
Quando parecia que o BRB finalmente encontraria uma boia para atravessar a ressaca deixada pelo caso Master, a maré resolveu mudar de novo. A venda bilionária de ativos para a Quadra Capital naufragou antes mesmo de sair do cais, devolvendo ao banco estatal velhos fantasmas como intervenção, liquidação e até privatização.
Em comunicado ao mercado, o BRB garantiu que nada muda e que segue avaliando novas oportunidades. Um tipo de nota otimista que costuma aparecer justamente quando muita coisa mudou. Enquanto a capitalização não chega, Brasília acompanha mais um capítulo da novela financeira em que o roteiro insiste em incluir sempre o mesmo personagem: Daniel Vorcaro.
No entorno de Lula, a discussão já não é sobre o que dizer no primeiro debate presidencial, mas se vale a pena aparecer. A avaliação de aliados é simples: como líder nas pesquisas e único candidato competitivo da esquerda, o petista teria mais a perder do que a ganhar diante de uma bancada inteira de adversários prontos para dividir o tempo entre críticas e cortes para as redes sociais.
O detalhe é que a data do debate coincide justamente com o lançamento oficial da candidatura petista, transformando a agenda em um grande dilema. Se faltar ao confronto, a campanha dirá que havia compromisso inadiável. Se comparecer, venderá coragem. Bom, às vezes o maior debate acontece antes mesmo de as câmeras serem ligadas.
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