Farinha Lima

Times Square paulistana

Reprodução
O prefeito Ricardo Nunes resolveu acender o painel contra o próprio aliado  |   BNews SP - Divulgação Reprodução
Redação BNews São Paulo

por Redação BNews São Paulo

[email protected]

Publicado em 29/04/2026, às 07h00



O prefeito Ricardo Nunes resolveu acender o painel contra o próprio aliado: disse que Gilberto Kassab “foi infeliz” ao criticar o tal Boulevard São João, a “Times Square paulistana” com seus telões de LED no centro. O detalhe curioso é que, segundo Nunes, Kassab já conhecia o projeto, já tinha sido apresentado e, mais curioso ainda, já teria até gostado. Ou seja, virou contra depois de lembrar que foi o pai da Lei Cidade Limpa. A memória, pelo visto, também pisca.

Cidade limpa, promessa poluída
Na tentativa de esfriar a polêmica, Ricardo Nunes garantiu que ninguém vai mexer na Lei Cidade Limpa e que, se mexer, ele mesmo será contra. Só não explicou como encaixar quatro telões gigantes no coração da cidade sem dar uma leve “esticada” no conceito de poluição visual. Já Gilberto Kassab, que criou a regra, agora aparece como fiscal tardio da própria obra. No fim, a disputa não é sobre LED, é sobre quem controla o botão de ligar e desligar a narrativa.

Palanque rural

Tracísio e Flávio
Em pleno palco oficial da Agrishow, o governador Tarcísio de Freitas resolveu antecipar o calendário eleitoral e já tratou Flávio Bolsonaro como “nosso próximo presidente”. Tudo isso com estrutura estatal, direito a palco e transmissão, como manda o figurino… ou talvez não.

Caixa-preta


A Justiça de São Paulo abriu a caixa-preta de um acordo entre a gestão de Ricardo Nunes e a Brasil Paralelo para uso de uma escola municipal como set de filmagem. O juiz Josué Vilela Pimentel derrubou o sigilo, lembrando o básico: ato público tem que ser público. A ação, puxada pela bancada do PSOL e pela vereadora Silvia Ferraro, queria ir além e anular a cessão, mas aí o magistrado segurou a caneta para não entrar no terreno da censura.

Apagão seletivo

Apagão
Gerado por IA


O centro de São Paulo voltou a testar a paciência de quem ainda acredita na estabilidade do básico: cerca de 6 mil imóveis ficaram sem luz em plena terça-feira, atingindo regiões como a Consolação e ruas movimentadas como Augusta e Frei Caneca. A Enel joga a culpa em uma obra da Sabesp. No meio do discurso de cidade moderna e tecnológica, basta uma falha para tudo voltar ao modo analógico.

Sono de mercado

Sono de Mercado
Gerado por IA


Na Faria Lima, onde até o cansaço precisa performar, a nova disputa entre CEOs já não passa pela corrida de rua nem pelo triatlo de domingo. Agora, o verdadeiro ativo de prestígio é dormir bem. O executivo de alta performance trocou o papo sobre pace pelo relatório do sono profundo e passou a exibir o anel inteligente como quem mostra um bônus recém-caído na conta.

Entre Oura Ring, Whoop e camas que regulam a própria temperatura, descansar virou KPI e insônia, quase uma falha de governança. O novo networking acontece no café da manhã, quando um pergunta ao outro quantas horas dormiu e o outro responde com gráficos, assinatura premium e idade biológica reduzida. No fim, até o descanso virou trabalho, só que com mensalidade em dólar e cheiro de wellness de luxo.

Corte calculado

Corte Calculado
Gerado por IA


Na Faria Lima, onde 25 pontos-base rendem mais conversa que muito happy hour, o consenso da vez é quase unânime: o Copom deve entregar um corte tímido na Selic, só o suficiente para animar sem parecer euforia. A aposta é de uma redução de 0,25 ponto, aquele movimento clássico de quem quer demonstrar confiança, mas sem tirar o pé do freio e assustar o câmbio.

Itaú, Bradesco e Bank of America parecem ter entrado no mesmo grupo de WhatsApp monetário: todos defendem cautela. Entre guerra no Oriente Médio, inflação teimosa, eleição de 2026 no radar e o mercado reagindo a cada pesquisa como se fosse boletim
médico, ninguém quer bancar o otimista excessivo. No fim, a mensagem é simples: cortar juros, sim, mas devagar, porque até o entusiasmo, na Faria Lima, precisa de aprovação em comitê.

Caça ao cofre
Quando uma sociedade desanda, a confiança costuma ser substituída por uma boa investigação particular. No caso de Daniel Vorcaro, antigos parceiros de negócios decidiram contratar empresas de espionagem privada para rastrear patrimônio oculto do dono do Banco Master, numa busca que passa por apartamentos de luxo, mansões, obras de arte e a clássica rota internacional do dinheiro discreto: Ilhas Cayman e Dubai.

Preso desde março e negociando delação premiada com a Polícia Federal, Vorcaro agora vê seu patrimônio tratado como uma espécie de caça ao tesouro de alto padrão. A missão é seguir o rastro de ativos em nomes de terceiros e contas fora do radar oficial. No fim, o escândalo bilionário transformou o extrato bancário em peça de investigação internacional.

CEP seletivo
Ter escritório no trecho mais nobre da Faria Lima continua rendendo prestígio, foto bonita no LinkedIn e a sensação de que o valuation sobe só pelo CEP. Mas a Klabin resolveu fazer uma descoberta revolucionária: talvez não seja necessário pagar aluguel de banco de investimento para vender papel. Trocou o endereço ao lado da JK por um prédio mais perto do Largo da Batata, ganhou mais espaço e ainda economizou cerca de 30% no aluguel.

O recado ecoou no mercado imobiliário: empresas que não vivem de planilha e call com investidor começaram a perceber que status não paga boleto. Bancos, gestoras e corretoras seguem firmes no altar da Faria Lima raiz; já o resto do mundo prefere continuar perto, mas sem precisar financiar o metro quadrado mais caro do país. Afinal, ostentar localização é ótimo, até o vencimento do aluguel chegar.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp