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A recente autorização do governo dos Estados Unidos para ampliar a constelação de satélites da Starlink, operada pela SpaceX, voltou a acender um alerta na comunidade científica internacional.
Embora a medida prometa levar internet de alta velocidade a regiões remotas do planeta, pesquisadores destacam que a ocupação acelerada da órbita terrestre baixa pode gerar consequências graves e duradouras.
A decisão da Comissão Federal de Comunicações (FCC) permite o lançamento de mais 7.500 satélites, praticamente dobrando o tamanho da constelação atual ao longo dos próximos anos, as informações são do Olhar Digital.
Astrofísicos alertam que o ritmo atual de lançamentos é mais rápido do que a capacidade global de regulamentação.
Hoje, cerca de 40 mil objetos são monitorados em órbita, enquanto estimativas apontam para mais de 1 milhão de fragmentos pequenos, invisíveis aos sistemas de rastreamento tradicionais, mas capazes de causar grandes danos.
Esse cenário está diretamente ligado à chamada Síndrome de Kessler, hipótese que prevê um colapso progressivo das órbitas baixas caso colisões sucessivas tornem o espaço inutilizável para novas operações. Estudos recentes descrevem o ambiente orbital como altamente instável, comparável a um sistema sensível a falhas mínimas.
Outro ponto de preocupação envolve o destino final desses satélites. Com vida útil média de cinco anos, eles são desorbitados e queimam na atmosfera, liberando nanopartículas metálicas.
Dados da NOAA mostram que uma parcela relevante das partículas detectadas na alta atmosfera já tem origem em foguetes e satélites. Com novas gerações de equipamentos mais pesados, o volume de resíduos tende a crescer nos próximos anos.
Apesar dos riscos, especialistas reconhecem os benefícios sociais da internet via satélite, especialmente para comunidades isoladas. O consenso, no entanto, é que o avanço tecnológico precisa caminhar junto com acordos internacionais, regras ambientais claras e coordenação entre empresas e governos.
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