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Vendedores ambulantes cadastrados para atuar no Carnaval de São Paulo estão acampados desde 26 de janeiro nas imediações da Avenida Pedro Álvares Cabral, ao lado do Parque Ibirapuera, na zona sul da capital.
A concentração ocorre nas proximidades da Praça Eisenhower, onde os trabalhadores formaram uma fila informal. O objetivo principal é garantir acesso ao show de Ivete Sangalo, marcado para sábado (7), um dos eventos mais aguardados da programação.
A antecipação tem relação direta com o receio de restrições impostas pelo poder público. Os ambulantes temem que haja limitação no número de carrinhos autorizados a circular durante a apresentação.
Quem chega antes acredita ter mais chances de conseguir um bom ponto, além de escolher locais estratégicos no meio do público, o que pode resultar em vendas maiores ao longo do evento.
Na tarde desta terça-feira, a fila reunia representantes de 16 grupos distintos, cada um com até 50 pessoas. Para manter a organização, os participantes se revezam ao longo do dia e da madrugada.
Alyne Perez Marioto, de 40 anos, explica para o Metrópoles que os turnos são divididos para evitar desgaste excessivo. Há equipes pela manhã, à tarde e durante a noite para segurar o espaço, afirma.
Alyne trabalha com a venda de cabelos humanos durante o ano, mas aproveita o Carnaval para atuar como ambulante. Ela relata que circula entre os colegas a informação de que apenas 1.000 carrinhos seriam autorizados no show, número considerado insuficiente.
Para muitos vendedores, o ideal seria liberar até 2.000 ambulantes, o que explica a mobilização antecipada.
Desde a chegada à praça, as condições têm sido desafiadoras. O grupo precisou improvisar estruturas para enfrentar o calor e as chuvas típicas do verão paulistano. Lonas foram estendidas para proteger os vendedores, já que os guarda-sóis fornecidos não resistiram às primeiras tempestades. A permanência prolongada no local exige adaptação constante, segundo os próprios ambulantes.
Entre os que aguardam está Joselito, conhecido como Gordinho, de 33 anos, que alterna a rotina de ambulante com a de motoboy. Enquanto segura lugar na fila, ele divide refeições trazidas por colegas do grupo. A troca de marmitas, água e refrigerantes virou parte da dinâmica coletiva, conta.
Gordinho nega acusações de venda de espaço na fila e diz que o sistema funciona por colaboração. Segundo ele, o revezamento permite que pessoas com outros empregos também consigam trabalhar no Carnaval. A ausência de reconhecimento oficial da fila, porém, gera insegurança. Há relatos de ameaças feitas por pessoas de fora do grupo, interessadas em ocupar o espaço antes do evento.
A possibilidade de conflitos levou alguns ambulantes a defenderem a distribuição de senhas, como forma de organização. Mesmo assim, parte do grupo espera que a situação se resolva sem problemas. Há expectativa de confraternização na véspera do show, com um churrasco entre os trabalhadores.
Os vendedores fazem parte de um contingente de cerca de 15 mil pessoas cadastradas por meio de uma grande empresa de bebidas. Eles são obrigados a comercializar apenas produtos da marca, recebendo isopor, guarda-sol, credencial e colete, mas arcando com itens como gelo e carrinho.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que, assim como em anos anteriores, os ambulantes cadastrados só poderão acessar os circuitos no dia dos desfiles. Segundo o município, agentes de segurança e fiscalização estarão nas entradas para organizar o acesso e garantir a segurança de foliões, artistas e trabalhadores durante os eventos.
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