Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 16/05/2026, às 15h51
Um cruzamento na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Oeste de São Paulo, virou o centro de uma disputa judicial que pode mudar radicalmente a vida do influenciador Samuel Sant'anna, o Gato Preto.
O acidente aconteceu em 20 de agosto de 2025, mas foi só em 22 de abril deste ano que a Justiça paulista aceitou a denúncia do Ministério Público e o tornou oficialmente réu por duas tentativas de homicídio.
O que estava em jogo naquela noite era mais do que uma batida de carro. Laudos apontaram que Gato Preto conduzia o Porsche Carrera 911 sob efeito simultâneo de álcool, ecstasy e maconha, em alta velocidade, quando avançou o sinal vermelho e colidiu com um Hyundai HB20 que tinha preferência no cruzamento.
Dentro do carro popular estavam Edilson Maiorano e seu filho Ivan. O jovem saiu com fratura na mandíbula, lesões na mão direita e no globo ocular. Por pouco, a história não terminou de forma ainda mais trágica.
Ainda antes de qualquer condenação, a Justiça tomou uma medida incomum: autorizou a venda antecipada do Porsche Carrera 911 apreendido, avaliado em cerca de R$ 960 mil.
A justificativa é preservar o valor do veículo para garantir que as vítimas recebam indenização, caso ela seja determinada. O Ministério Público pede R$ 100 mil por danos morais e materiais, valor que o juiz ainda vai arbitrar.
Gato Preto também perdeu o direito de dirigir. A CNH foi suspensa por ordem judicial e ele está proibido de colocar as mãos em qualquer volante enquanto o processo tramita. Ele responde em liberdade.
A noite do acidente envolveu mais personagens além do influenciador. Bia Miranda, então sua namorada, estava no banco do passageiro do Porsche e também não prestou socorro às vítimas. O casal deixou o local com a ajuda do segurança particular Felipe Junior da Silva Souza, que os transportou em outro veículo.
Os dois agora respondem por omissão de socorro e fuga. Felipe já fechou acordo com o MP: pagará R$ 10 mil de indenização e cumprirá medidas alternativas. Já Bia Miranda recebeu proposta para pagar R$ 150 mil, divididos entre as vítimas e uma entidade assistencial, para evitar ser denunciada formalmente à Justiça.
Para a promotoria, Gato Preto não agiu por descuido, mas assumiu conscientemente o risco de matar. É justamente esse ponto que sua defesa contesta.
Os advogados querem reduzir a acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal culposa, modalidade que reconhece o acidente como falta de atenção e não como indiferença à vida alheia.
A audiência em que testemunhas, vítimas e o réu serão ouvidos ainda não tem data marcada. Depois disso, um juiz decidirá se o caso vai ou não a júri popular.
O episódio na Faria Lima não é um caso isolado na trajetória recente do influenciador. Em agosto de 2025, ele já havia se tornado réu por violência doméstica contra a própria Bia Miranda.
Meses depois, em dezembro, foi preso por deixar de pagar pensão alimentícia a um dos filhos, com dívida superior a R$ 57 mil. Solto em seguida, ainda enfrenta investigação por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro em jogos ilegais de azar.
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