Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 12/08/2026, às 13h10
O menino autista de 5 anos que teria sido vítima de estupro atribuído ao ator Marco Furlan deverá ser ouvido pela Polícia Civil nos próximos dias.
A oitiva foi solicitada pelo promotor responsável pelo caso e será realizada por meio de escuta especializada, segundo a advogada da família da vítima, Maria Fernanda Mituo.
Ainda não há uma data definida para o depoimento.
Furlan foi indiciado por estupro de vulnerável após o episódio ocorrido em 2 de agosto, durante uma festa de aniversário em uma chácara no bairro Goiabal, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. O caso tramita sob sigilo por envolver uma criança.
Segundo a defesa da família e o portal Metrópoles, o menino é neurodivergente.
A advogada afirmou que o relatório final da investigação reúne depoimentos da mãe da vítima, testemunhas e policiais que atenderam à ocorrência.
De acordo com ela, os relatos seriam convergentes em relação à dinâmica e às circunstâncias do caso.
Segundo o boletim de ocorrência, o menino, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dormia em um dos quartos da chácara quando a mãe ouviu gritos vindos do cômodo.
Uma amiga da família também teria ouvido a criança dizer “Para… está doendo” e correu até o quarto junto com a mãe. As duas encontraram o menino despido ao lado de Furlan, que também estava nu.
A criança foi levada a um pronto-socorro após reclamar de dores na região anal. O ator foi preso no local e, no dia 3 de agosto, passou por audiência de custódia, que manteve a prisão.
Inicialmente, segundo o boletim de ocorrência, Furlan teria afirmado que confundiu o menino com a própria namorada. Depois, negou ter cometido qualquer abuso e, na delegacia, disse não se lembrar do que havia acontecido.
O inquérito também reúne o depoimento de uma prima do ator, que era a aniversariante da festa.
Ela afirmou que havia ficado com Furlan durante a comemoração e que os dois procuraram um quarto para dormir depois de mais de 12 horas de festa.
Segundo a testemunha, o ator havia consumido cerveja e apresentou um comportamento que ela considerou incomum.
Ela relatou que ele ficou agressivo verbalmente e fez propostas sexuais. Em seguida, teria dito que estava passando mal, deixado o quarto e ido ao banheiro.
A mulher afirmou que não viu o que aconteceu depois porque adormeceu. Ela também disse que o menino estava em outro quarto da propriedade e que não imaginava que Furlan entraria no cômodo onde a criança dormia.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML), realizado em 4 de agosto, dois dias após o episódio, não apontou elementos de prática de ato libidinoso no exame da região anal da criança.
O documento, assinado pelo médico-legista Rodrigo Carvalho de Almeida, registra que não foram identificados elementos relacionados a ato libidinoso, mas aponta a necessidade de aguardar exames complementares, entre eles a pesquisa de espermatozoides.
A advogada da família, no entanto, afirmou que o resultado do exame não afasta as demais provas reunidas durante a investigação e declarou que “as provas da materialidade são incontestáveis”.
A Polícia Civil informou que encaminhou o inquérito ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A defesa de Marco Furlan nega que o ator tenha cometido qualquer ato sexual contra a criança.
A advogada Graciele Queiroz afirma que o ator estava fortemente embriagado e que a versão apresentada inicialmente no local não corresponde ao que ele declarou posteriormente.
Segundo a defesa, Furlan e a aniversariante mantinham relações sexuais quando ele passou mal e foi ao banheiro. Ao retornar, teria entrado no quarto errado, que estava escuro, e se deitado ao lado da criança sem perceber quem estava na cama.
A advogada também questiona a condução da investigação e afirma que pretende pedir o aprofundamento das apurações.
Entre os pontos levantados estão a rapidez na conclusão do inquérito, a ausência de depoimentos de algumas pessoas que permaneceram na chácara, a falta de coleta de possíveis vestígios e a não realização de um exame toxicológico que, segundo ela, teria sido solicitado pelo ator.
Durante o interrogatório, Furlan afirmou que não se lembrava dos acontecimentos e disse ter consumido álcool durante a festa.
Ele também declarou que não tinha consciência de ter estado no quarto com a criança.
O caso continua sob investigação, e a criança deverá ser ouvida em escuta especializada antes da continuidade das próximas etapas do processo.
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