Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 06/10/2026, às 12h45
O julgamento de dez torcedores corintianos acusados de participar do assassinato de dois palmeirenses em 2012, na Zona Norte de São Paulo, deve terminar nesta terça-feira (6), segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Os réus, alguns deles ligados à torcida organizada Gaviões da Fiel, respondem em liberdade pelas mortes de André Alves Lezo, de 21 anos, e Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, de 19.
Eles são acusados de envolvimento no confronto que ficou conhecido como Batalha da Inajar.
Os dez negam participação nos homicídios e também contestam a acusação de que tenham planejado o confronto.
O julgamento teve início na segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. Inicialmente, o TJ-SP previa que a sessão pudesse se estender até sexta-feira (9).
Ao todo, 50 testemunhas haviam sido listadas, mas 40 foram dispensadas. Os depoimentos das testemunhas que permaneceram e os interrogatórios dos réus foram realizados ainda na segunda-feira.
Nesta terça, os debates entre acusação e defesa começaram às 9h. De acordo com o g1, a expectativa das partes é que a sentença seja anunciada ainda durante a tarde.
Sete jurados serão responsáveis pela decisão. Depois das sustentações orais do Ministério Público e dos advogados, os jurados votam e a decisão majoritária é considerada pelo juiz, que fará a leitura do veredicto.
Em caso de condenação, os réus podem ser presos ainda no plenário, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Se forem absolvidos, poderão permanecer em liberdade.
Os dez corintianos são acusados de participar da organização e da execução do confronto. A investigação, porém, não identificou quais deles teriam desferido os golpes que provocaram diretamente as mortes.
Antonio Alan Souza Silva, 48 anos, conhecido como Donizete: era presidente da Gaviões da Fiel na época. Segundo a acusação, teria participado da organização e da execução da ação, além de fornecer apoio moral e logístico.
Mario Batista, 46 anos, o Magoo: é acusado de ajudar a fornecer barras de ferro e cabos de ferramentas utilizados na briga.
Reinaldo Gilberto Alves, 48 anos, o Ade: também é acusado de auxiliar no fornecimento de barras de ferro e cabos de ferramentas.
Carlos Roberto de Brito Júnior, 43 anos, o Neguinho: é acusado de comprar fogos de artifício e organizar o transporte dos torcedores até o local. Ele nega envolvimento. Uma perícia grafotécnica afastou semelhança entre sua escrita e a de um bilhete usado na investigação.
Douglas Deungaro, conhecido como Metaleiro: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e execução do confronto.
Rodrigo Reinaldet Daher, 48 anos, o Capetinha: é acusado de participar da organização e execução da ação contra os palmeirenses.
Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, conhecido como Diguinho: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e execução do confronto.
Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, 46 anos, o Ninja: é acusado de participar da organização e execução da briga.
Wagner da Costa, 43 anos, o BO: ex-presidente da Gaviões da Fiel, é acusado de participar da organização e execução do confronto.
Mario José Carneiro Pieroni, 38 anos: é acusado de participar da organização e execução da ação.
Os dez acusados respondem em liberdade. Alguns chegaram a ser presos durante as investigações, mas foram soltos.
Os corintianos negam participação nos homicídios e afirmam que não organizaram o confronto.
“Desde então meu cliente vive um inferno. O Douglas sempre alegou inocência”, afirmou o advogado Ricardo Martins, que defende um dos réus.
As demais defesas não foram localizadas para comentar o julgamento.
O confronto aconteceu na manhã de 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte de São Paulo. Naquele domingo, Corinthians e Palmeiras se enfrentariam pelo Campeonato Paulista, no Pacaembu.
Segundo a investigação da Polícia Civil, torcedores corintianos começaram a se organizar na noite anterior para preparar uma emboscada contra os rivais. No dia seguinte, parte do grupo teria sido levada de ônibus até a região onde ocorreu a briga.
Os investigadores afirmam que alguns torcedores usavam meias na cabeça para esconder o rosto e carregavam barras de ferro, pedaços de madeira e fogos de artifício.
Os palmeirenses haviam se reunido e caminhavam em direção à sede da Mancha Alvi Verde, na Rua Turiassu, quando foram surpreendidos pelos corintianos na Avenida Inajar de Souza.
O grupo corintiano era numericamente superior e atacou os rivais. André Lezo sofreu golpes na cabeça e morreu no mesmo dia. Guilherme teve traumatismo craniano e morreu dois dias depois.
A investigação apontou ainda que o confronto teria sido uma retaliação pela morte de Douglas Karin da Silva, de 27 anos, torcedor do Corinthians encontrado morto no Rio Tietê em 2011.
O processo relacionado à Batalha da Inajar foi desmembrado. Nove torcedores palmeirenses também foram pronunciados, mas respondem por associação criminosa e serão julgados em outro processo.
Segundo o TJ-SP, ainda não há data definida para o julgamento dos palmeirenses. Todos respondem em liberdade.
Um décimo palmeirense também havia sido pronunciado por associação criminosa, mas morreu durante o andamento do processo. Com isso, a ação contra ele foi extinta.
O julgamento dos dez corintianos deve chegar ao fim nesta terça-feira, mais de 14 anos após o confronto que terminou com a morte de dois torcedores palmeirenses.
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