Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 24/03/2026, às 09h28
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de matar a esposa, Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça no apartamento do casal no Brás, em São Paulo, afirmou em interrogatório que o relacionamento já estava desgastado há meses.
Segundo ele, os dois viviam como “dois estranhos” e não dividiam o mesmo quarto desde o fim de julho de 2025.
O PM foi preso preventivamente na última quarta-feira (18) e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
Em depoimento à Polícia Civil, Geraldo descreveu a rotina do casal no dia anterior ao crime.
De acordo com ele, na manhã de 17 de fevereiro, ambos foram à academia, mas em horários diferentes. Ele treinou das 8h às 9h; Gisele, das 9h às 10h.
Ao retornar para casa, por volta das 11h, Gisele teria se isolado na suíte, onde passou o restante do dia com a filha pequena.
Segundo o relato, ela permaneceu no quarto, inclusive para comer, após pedir que o marido buscasse uma marmita na portaria.
Enquanto isso, Geraldo afirmou que permaneceu na sala assistindo televisão durante a tarde.
O silêncio teria sido interrompido no início da noite. Por volta das 18h30, o policial sugeriu que os dois tomassem café juntos, já que ele não havia almoçado. Gisele aceitou, e o casal conversou por cerca de duas horas.
“Nós fizemos um resumo do nosso relacionamento desde 2023. E ali a gente conversou sobre vários fatores, prós e contras, vantagens e desvantagens de continuarmos juntos”, afirmou.
Durante a conversa, ele mencionou planos para a vida profissional da esposa, incluindo uma possível vaga na assessoria da Polícia Militar no Tribunal de Justiça, com um adicional salarial de R$ 5 mil.
Segundo o depoimento, o encontro foi marcado por emoção. O casal teria relembrado momentos vividos juntos e chorado durante a conversa.
Geraldo afirmou que, após esse momento, os dois tiveram relação sexual no sofá, que ele descreveu como uma despedida.
“A gente sentou, conversou por duas horas. No final da conversa nós nos emocionamos muito, até nos abraçamos e choramos, com o rosto colado no outro, abraçado. Ali acabou criando um clima, porque queira ou não, tem uma química entre nós dois, né?”, afirmou Geraldo.
Apesar da aproximação, Gisele teria demonstrado indecisão sobre o futuro do relacionamento. Segundo o policial, ela preferiu não tomar uma decisão definitiva naquele momento.
De acordo com o relato, o casal combinou de retomar a conversa no dia seguinte, 18 de fevereiro, quando definiriam se continuariam juntos ou não.
Ainda no interrogatório, Geraldo afirmou que, após a conversa, cada um seguiu para seu quarto. Ele disse que foi rezar antes de dormir, enquanto Gisele permaneceu na suíte.
“Então, eu fui para o meu quarto dormir, fiz minhas orações, ela foi para o quarto dela dormir. Acredito que na quarta-feira, dia 18, ela tenha acordado até mais cedo, às 4h30. Ela falou para mim que ia começar a novena do Frei Gilson, a quaresma”.
A investigação segue em andamento.
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