Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 18/03/2026, às 12h40
A apuração conduzida pela Justiça Militar sobre a morte da policial militar Gisele Santana descartou a hipótese inicial de suicídio.
O caso envolve o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, apontado como principal suspeito e que teve a prisão decretada.
De acordo com a investigação, o conjunto de provas indica que a vítima foi atacada pelas costas, o que contraria a versão dada pelo parceiro.
Os elementos reunidos apontam que Gisele foi surpreendida de forma violenta. Segundo o documento oficial, a abordagem teria ocorrido com controle físico e uso de arma de fogo.
“Segundo a apuração, Gisele foi ‘abordada por trás, com mão esquerda do agressor na mandíbula/face e arma na mão direita dirigida à têmpora direita’. Após o disparo, o corpo foi deposto ao chão, houve escoamento sanguíneo e manipulações subsequentes [inclusive posição da arma na mão]”, descreveu o documento.
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado de outra forma após o avanço das diligências. Surgiram indícios de feminicídio e possível tentativa de fraude processual.
A investigação também levou em conta o histórico do relacionamento entre os dois, marcado por episódios de violência doméstica. Segundo os apuradores, a posição hierárquica do tenente-coronel teria contribuído na piora desse cenário.
Outro ponto que chamou a atenção foi o comportamento do suspeito no dia da morte. Antes de acionar o serviço de emergência, ele teria feito ligações para terceiros, o que foi considerado relevante para a análise do caso.
Os primeiros socorristas também relataram inconsistências na cena encontrada no local.
“Os primeiros socorristas relataram que a cena que presenciaram no local do ocorrido foi atípica para suicídio: Gisele estava ao solo, envolta por toalha, com a arma semiempunhada na mão direita, sem contratura muscular, tendo sido retirado com facilidade pelo socorrista, com manchas de sangue concentradas na região da cabeça e do braço direito. Além disso, o investigado estava no corredor, sem camisa, ao telefone, mantendo tranquilidade incomum ao contexto, enquanto Gisele ainda apresentava batimentos cardíacos e respiração profunda e agonizante no interior do apartamento”, disse o documento.
Para a Justiça Militar, o conjunto de provas aumenta a suspeita sobre o tenente-coronel. A análise indica que ele era a única pessoa presente com a vítima antes do ocorrido e também o primeiro a ter contato com a cena após o disparo.
Geraldo foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A prisão preventiva foi determinada pela Justiça Militar após solicitação da Polícia Civil, feita no dia anterior.
Além da prisão, a decisão judicial autorizou a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil, que conduz uma investigação paralela sobre o caso.
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