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Clube centenário de SP, Juventus é investigado por desvio milionário feito por dirigentes

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Dirigentes são investigados de se apropriarem de dinheiro da venda do clube para uma SAF  |   BNews SP - Divulgação Reprodução/ Google Street View
Redação BNews São Paulo

por Redação BNews São Paulo

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Publicado em 17/08/2026, às 14h39



O tradicional clube de São Paulo, Juventus, vive um novo momento após a venda da SAF que foi concretizada há dez meses. Durante um longo período o clube centenário passou por dificuldades financeiras, mas atualmente virou caso de polícia. 

Segundo portal Ge, o imbróglio envolve traições matrimoniais, intimidações e desvios milionários de dinheiro. Com a entrada de valores altos nos cofres do clube a Polícia Civil passou a investigar denúncias de que parte desse montante estaria caindo no bolso do presidente Tadeu Deradeli e do presidente do Conselho Deliberativo Carlos Eduardo Gomes Pedroso. Tadeu nega as acusações.

Segundo a denúncia, Carlos Eduardo, que é escrivão da polícia, estaria usando o seu cargo para ameaçar e perseguir adversários políticos. Ainda conforme o Ge, existem relatos de que ele costuma exibir armas em reuniões e que teria afastado opositores do Conselho de forma arbitrária.

Os advogados Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues, que eram casados até março deste ano,  também estariam no meio de denúncia. Em depoimento à Polícia, Guilherme deu informações detalhadas e entregou planilhas e comprovantes bancários que apontam como ele e a ex-mulher operavam o esquema no Juventus. O advogado admite sua participação no esquema criminoso até março deste ano, quando descobriu que estava sendo traído por Luma e suposto amante seria o presidente do conselho do clube.

A divisão do dinheiro

A denúncia aponta que valores milionários foram desviados do Juventus por meio do pagamentos de honorários advocatícios. Um dos negócios detalhados foi a operação de venda da SAF.

Pela transação, o clube social teve direito a receber R$ 20 milhões. Porém, R$ 2 milhões deveriam ser repassados a Luma e Guilherme pela estruturação do projeto. O valor seria dividido em três partes iguais:

  • uma para Carlos Eduardo, presidente do Conselho, que disse que ainda daria um percentual a uma quarta pessoa (desconhecida);
  • uma para Tadeu Deradeli, presidente do clube;
  • e outra para o casal de advogados.

A Polícia recebeu comprovantes de saque e de depósitos que corroboram a versão de Guilherme, além de uma planilha detalhando os repasses.

Segundo ele, em 1º de dezembro do ano passado, o clube fez o primeiro pagamento dos honorários, no valor de R$ 900 mil. Destes, R$ 341,2 mil foram repassados em espécie para Carlos Eduardo. Tadeu Deradeli teria recebido um depósito de R$ 224 mil.

Em maio de 2026, houve novo pagamento pelo contrato da SAF, desta vez de R$ 350 mil. De acordo com Guilherme, nesta ocasião ele não participou do rateio, pois já estava separado de Luma.

O denunciante também detalhou como foi desviado dinheiro do contrato com a escola Maple Bear, que firmou parceria de 20 anos para usar parte da sede do Juventus.

Segundo Guilherme, em abril deste ano, a empresa adiantou R$ 500 mil dos R$ 3 milhões combinados em contrato. Deste montante, R$ 25 mil ficaram com o advogado e R$ 106 mil foram repassados ao presidente Tadeu Deradeli. O restante, R$ 369 mil, ficaram com Luma e Carlos Eduardo.

Em entrevista ao Ge, Luma nega a traição assim como a divisão de honorários. "O Guilherme é meu ex-marido, a gente teve um fim de relacionamento complicado, e ele fazia saques de valores altos, chegou a colocar no processo judicial isso, mas eu não tenho conhecimento de investigação da Polícia Civil. Ele chegou a disseminar notícias que fazia repasses, não eu, tenho certeza que não tem comprovante meu. Eu nunca fiz repasse aos presidentes do clube ou do Conselho Deliberativo", contou a advogada.

Tadeu Deradeli também confirma o recebimento de R$ 224 mil, como relatado por Guilherme, mas afirma que o valor foi "reembolso de uma aplicação financeira".

Juventus se pronunciou sobre o caso. Confira a nota na íntegra:

"O Clube Atlético Juventus informa que não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes.

O Juventus ressalta que questões de foro íntimo, estritamente pessoal de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais. Portanto não podem nem devem ser utilizadas para atribuir à instituição qualquer responsabilidade ou posicionamento.

Com mais de um século de história e uma trajetória profundamente ligada ao esporte e à cidade de São Paulo, o Juventus preserva o compromisso de conduzir sua atuação institucional com responsabilidade, transparência e respeito à sua comunidade e tradição".

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