Polícia
A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra está ligada a uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo o inquérito, a exposição de uma vida marcada por carros de luxo, viagens internacionais e grande presença nas redes sociais teria contribuído para dar aparência legítima a movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
O relatório policial sustenta que a influenciadora utilizaria sua estrutura empresarial, patrimônio e notoriedade pública para misturar recursos de origem legal e ilegal, dificultando a identificação da procedência dos valores.
Para os responsáveis pela apuração, o elevado padrão de vida ajudaria a justificar transações milionárias sem despertar suspeitas imediatas, conta o G1.
As apurações tiveram início em 2019, após a descoberta de bilhetes escondidos em celas e até mesmo na rede de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha informações sobre a organização criminosa e levou à abertura de diferentes inquéritos.
A partir da análise desses documentos, os investigadores identificaram uma transportadora sediada no interior paulista que, segundo a polícia, funcionaria como instrumento para movimentação financeira da facção.
Os valores passariam por diversas contas bancárias antes de chegarem a destinatários ligados ao esquema, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, duas contas associadas a Deolane teriam recebido recursos provenientes dessa rede financeira. A suspeita é de que o dinheiro fosse incorporado a receitas legítimas e posteriormente retornasse ao grupo criminoso.
Os investigadores também apontam uma possível conexão da influenciadora com familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, apontado pelas autoridades como líder do PCC. Entre os citados está uma sobrinha do criminoso residente na Espanha.
Juristas ouvidos pela reportagem afirmam que contratos de publicidade e direitos de imagem podem movimentar valores elevados, o que torna necessária uma análise detalhada da documentação financeira. Nesse cenário, a verificação depende do cruzamento de contratos, movimentações bancárias, declarações fiscais e patrimônio acumulado, e não apenas dos montantes envolvidos.
Os especialistas ressaltam, porém, que fama, riqueza ou ostentação não configuram prova de crime por si só. Segundo eles, a responsabilização depende da existência de elementos concretos capazes de demonstrar a origem ilícita dos recursos e eventuais mecanismos de ocultação financeira.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Deolane sob o argumento de risco de fuga. Conforme o processo, ela havia retornado ao Brasil pouco antes da operação policial, após passar um período na Europa.
A defesa nega todas as acusações e afirma que a influenciadora não integra organização criminosa nem participou de qualquer esquema de lavagem de dinheiro. Os advogados sustentam que as alegações apresentadas pelas autoridades serão contestadas ao longo do processo judicial.
Além deste caso, Deolane já havia sido alvo de outra investigação em 2025 relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas online. As apurações seguem em andamento e ainda serão analisadas pela Justiça.
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