Polícia

Furtos de hidrômetros disparam em SP e causam prejuízo de R$ 2 milhões à Sabesp

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Com média de 131 casos por dia, os furtos provocam prejuízos à Sabesp, que aposta em hidrômetros de material plástico para conter as ocorrências  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução
Amanda Ambrozio

por Amanda Ambrozio

Publicado em 15/10/2026, às 13h15



Os furtos de hidrômetros dispararam no estado de São Paulo em 2026. Dados da Sabesp mostram que 23.724 equipamentos foram furtados entre janeiro e junho, o equivalente a 131 casos por dia.

O número representa um aumento de 74,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 13.579 ocorrências.

Na capital paulista, a alta também foi expressiva. Os registros passaram de 6.447 para 10.206 no primeiro semestre, um crescimento de 58,3%.

Além do prejuízo financeiro, o crime pode provocar vazamentos e desperdício de água. Segundo a companhia, a retirada irregular de um hidrômetro pode causar perdas de até 100 litros de água por hora, dependendo das condições do vazamento.

Valorização do cobre atrai criminosos

Também conhecido como relógio ou medidor de água, o hidrômetro é instalado na entrada de imóveis residenciais e comerciais para medir o consumo.

O que torna o equipamento atrativo para os criminosos é o material utilizado em sua fabricação: boa parte da estrutura é feita de latão, uma liga metálica composta principalmente de cobre e zinco.

A alta nos furtos ocorre em meio à valorização internacional dos metais. O cobre, utilizado em componentes elétricos e industriais, atingiu patamares recordes em 2026, aumentando o interesse de criminosos por materiais que podem ser revendidos.

Ao portal g1, Luiz Renato Fraga Rios, diretor de proteção da receita da Sabesp, disse que os equipamentos furtados costumam ser encaminhados a ferros-velhos, onde são processados antes de retornar ao mercado.

O executivo afirma que, em muitos dos casos monitorados pela companhia, os responsáveis são pessoas em situação de vulnerabilidade que vendem os materiais para obter dinheiro para comprar drogas.

Furtos crescem pelo terceiro ano consecutivo

Os registros da Sabesp mostram que os furtos de hidrômetros aumentaram pelo terceiro ano consecutivo no estado. No primeiro semestre, foram contabilizados:

  • 2022: 14.261 casos

  • 2023: 11.325 casos

  • 2024: 12.623 casos

  • 2025: 13.579 casos

  • 2026: 23.724 casos

As ocorrências foram registradas em 180 dos 376 municípios atendidos pela Sabesp.

Além da capital, Guarulhos teve 1.068 casos no primeiro semestre, seguida por Osasco, com 974; Santo André, com 845; Carapicuíba, com 734; e Santana de Parnaíba, com 550.

Em algumas cidades, o crescimento foi ainda mais acelerado. Em Barueri, os registros saltaram de 45 para 400 em um ano. Já em São Bernardo do Campo, passaram de 116 para 482 ocorrências no mesmo período.

Sabesp troca medidores metálicos por modelos de plástico

Diante do aumento dos furtos, a Sabesp começou a ampliar a substituição dos equipamentos metálicos por modelos fabricados com composite, material plástico sem valor comercial relevante para a cadeia de receptação.

“É um problema generalizado no país e está fazendo a gente adotar de forma mais massiva os medidores feitos em composite, que é um material plástico sem valor nenhum para essa venda ilegal”, afirmou Rios.

A companhia iniciou no ano passado um programa para substituir 4 milhões de hidrômetros por modelos inteligentes, que, além de serem fabricados com plástico, contam com recursos de localização que permitem o rastreamento.

A iniciativa está em andamento em São José dos Campos, onde a troca deve ser concluída no início de 2027, e na cidade de São Paulo, com prazo previsto até 2029.

Atualmente, a Sabesp tem cerca de 10 milhões de hidrômetros instalados, dos quais 95% ainda são feitos de material metálico. A empresa foi privatizada em 2024, durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e atende aproximadamente 30 milhões de pessoas em 376 municípios paulistas.

Prejuízo chega a quase R$ 2 milhões

De acordo com o diretor de proteção da receita da Sabesp, cada hidrômetro furtado custa, em média, R$ 100 para ser reposto. Considerando os 23.724 equipamentos levados no primeiro semestre, o prejuízo estimado com a substituição se aproxima de R$ 2,4 milhões.

A companhia ressalta que o impacto vai além do custo de reposição, pois os furtos podem causar vazamentos de grande volume, afetar o abastecimento e comprometer o fornecimento de água em determinadas regiões.

“Esse prejuízo não é só da Sabesp, mas de toda a sociedade, pois o furto normalmente está associado a um grande vazamento de água, que pode interromper a distribuição local ou de uma determinada região. Precisamos combater esse crime também por causa do desperdício”, afirmou Rios.

Cliente não paga pela reposição se registrar ocorrência

A Sabesp tem prazo regulatório de até 48 horas para substituir um hidrômetro furtado. O consumidor não precisa pagar pelo novo equipamento, desde que registre um boletim de ocorrência.

Enquanto o imóvel permanece sem medidor, a conta de água é calculada com base na média histórica de consumo.

A companhia também mantém contato com as forças de segurança para tentar identificar os responsáveis pelos furtos e os receptadores dos equipamentos. Segundo a empresa, imagens de câmeras de segurança e relatos de movimentações suspeitas fornecidos por moradores podem ajudar nas investigações.

Polícia tenta combater a cadeia de receptação

Questionada sobre o aumento dos furtos, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) não apresentou uma hipótese específica para explicar a alta em 2026. Em nota, afirmou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais.

Segundo a pasta, o patrulhamento é reforçado em áreas com maior incidência de ocorrências, enquanto as investigações buscam identificar não apenas quem pratica os furtos, mas também quem compra, descaracteriza e comercializa os materiais.

A secretaria citou uma operação recente em São João da Boa Vista, no interior paulista, que terminou com cinco pessoas presas em flagrante em um ferro-velho clandestino por suspeita de associação criminosa e receptação.

Na ação, foram apreendidos aproximadamente 261 quilos de cobre queimado, além de fios, cabos, disjuntores, materiais hidráulicos e outros metais. Parte dos objetos foi reconhecida por representantes da Sabesp.

A SSP informou que as investigações continuam para identificar a origem dos materiais e possíveis outros envolvidos.

A pasta também afirmou que os números gerais de furtos e roubos no estado caíram nos primeiros oito meses de 2026 e que 149.174 infratores foram presos ou apreendidos no período.

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