Polícia

GCM que matou entregador no Ibirapuera já respondeu por tentativa de homicídio

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Caso na Zona Sul de São Paulo envolve agente da GCM com antecedentes e versão contestada pela família; investigação apura circunstâncias do disparo  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Prefeitura de SP.
Bianca Novais

por Bianca Novais

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Publicado em 12/04/2026, às 09h35



Um entregador de 39 anos foi assassinado por tiro durante uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana (GCM), na noite de sexta-feira (11), na Zona Sul de São Paulo, nas proximidades do Parque Ibirapuera.

Segundo o g1, o caso ganhou repercussão não apenas pela morte em si, mas pelo histórico do agente envolvido e pelas divergências sobre o que aconteceu no momento do disparo.

Douglas Renato Scheefer Zwarg voltava para casa de bicicleta elétrica após um dia de trabalho. Segundo familiares, ele levava uma pizza para jantar com a esposa e os filhos quando foi abordado por agentes da GCM.

Versões em conflito

De acordo com o boletim de ocorrência, os guardas foram acionados por um vigilante que relatou furtos cometidos por ciclistas na região. Durante o patrulhamento, Douglas passou a ser considerado suspeito por estar encapuzado e, segundo os agentes, por supostamente assustar duas mulheres.

Ainda conforme o relato dos guardas, o entregador teria se desequilibrado, batido na viatura e caído. Nesse momento, o subinspetor Reginaldo Alves Feitosa afirmou que a arma disparou acidentalmente.

A versão é contestada pela família. Para parentes, não há justificativa para um disparo considerado acidental. Eles questionam o preparo do agente e a condução da abordagem.

Histórico do agente

O subinspetor responsável pelo disparo já havia respondido a outros processos na Justiça. Em 2003, ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, mas respondeu em liberdade.

Anos depois, em 2009, também esteve envolvido em um caso no Juizado Especial Criminal, sendo investigado por constrangimento ilegal, abuso de autoridade e discriminação contra pessoa idosa. Todos os processos foram arquivados.

Além disso, registros indicam que ele recebeu uma repreensão disciplinar apenas 11 dias antes da ocorrência.

Investigação em andamento

O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O agente chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após pagamento de fiança de R$ 2 mil.

O delegado responsável apontou indícios de imprudência e imperícia no manuseio da arma, especialmente sob estresse. A Polícia Civil busca imagens de câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica da abordagem — a GCM não utiliza câmeras corporais.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que o agente foi afastado das funções operacionais e que a Corregedoria abriu investigação interna.

Douglas deixa três filhos: duas filhas, de 18 e 10 anos, e um bebê de quatro meses. Segundo a família, ele mantinha dois empregos, não tinha antecedentes criminais e era presente na vida dos filhos.

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