Polícia

Grupo com mais de 80 mil seguidores promovia saltos em ponte sem autorização antes de morte de jovem em SP

Foto: Reprodução/Divulgação/Prefeitura Municipal de Limeira
Investigação aponta que organizadores atuavam sem empresa formal e realizavam eventos em estrutura marcada por acidentes e restrições de acesso  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/Divulgação/Prefeitura Municipal de Limeira
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 14/06/2026, às 14h20



A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, trouxe à tona a forma como funcionava o grupo responsável pelas atividades na Ponte do Esqueleto. Embora reunisse milhares de seguidores nas redes sociais e promovesse eventos frequentes, a organização não possuía empresa formal constituída, segundo informações da Polícia Civil.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com as investigações, os organizadores eram praticantes do esporte que passaram a realizar eventos em diferentes cidades há cerca de um ano. A delegada Andréa Dantas afirmou que não existia uma empresa oficialmente registrada, mas sim um grupo de pessoas que se reuniu por meio da prática esportiva para promover os saltos.

Nas redes sociais, um dos perfis ligados à atividade, identificado como Entre Cordas, acumulava mais de 80 mil seguidores e utilizava frases como "Você sonha. A gente realiza" e "Um salto para o extraordinário" para divulgar as experiências radicais. Após o acidente, os perfis relacionados ao grupo foram retirados do ar.

Ponte acumula histórico de acidentes

Além da ausência de uma empresa formal, a investigação também aponta que o grupo não possuía autorização para realizar a atividade na Ponte do Esqueleto, estrutura abandonada localizada entre Limeira e Cordeirópolis.

O local, que nunca foi concluído para o tráfego de veículos, tornou-se ponto conhecido para esportes radicais, apesar da falta de infraestrutura e de fiscalização permanente. Nos últimos anos, outros acidentes já haviam sido registrados na região, incluindo a morte de uma ciclista e quedas que deixaram visitantes gravemente feridos.

Após essas ocorrências, autoridades chegaram a solicitar medidas para restringir o acesso à ponte, mas as atividades continuaram sendo realizadas.

Polícia investiga responsabilidades

Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

Segundo a Polícia Civil, a corda que deveria proteger Maria Eduarda permaneceu enrolada na plataforma no momento do salto. Imagens gravadas por testemunhas mostram a jovem sendo lançada da ponte enquanto pessoas no local gritam ao perceber que o equipamento de segurança não havia sido conectado.

Três instrutores foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual. Outros três envolvidos foram ouvidos e liberados por não participarem diretamente da preparação do salto.

A defesa afirma que o rope jump não possui regulamentação específica no país e sustenta que o episódio foi uma "triste fatalidade". Também alega que o grupo realizava eventos havia anos sem registros anteriores de acidentes.

A morte de Maria Eduarda reacendeu o debate sobre a fiscalização de atividades radicais em estruturas abandonadas e sobre a responsabilidade de grupos que promovem esse tipo de evento sem autorização formal e sem controle dos órgãos públicos.

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