Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 04/08/2026, às 07h46
A Justiça de São Paulo condenou, em segunda instância, o influenciador digital Maykon Santos ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos, após concluir que ele promoveu e incentivou rachas, colisões e outras infrações de trânsito em Peruíbe, no litoral paulista. A decisão foi proferida no fim de julho e ainda cabe recurso.
A ação foi movida pela Prefeitura de Peruíbe em 2024. Segundo o município, o influenciador utilizava suas redes sociais para divulgar e estimular "espetáculos surreais e ilegais de rachas e batidas", colocando em risco moradores, turistas e motoristas. À época do processo, Maykon acumulava cerca de 756 mil seguidores nas redes sociais.
Entre as provas apresentadas estão vídeos publicados pelo próprio influenciador. Em uma das gravações, dois veículos aparecem recém-colididos enquanto os motoristas riem da situação.
Em outra, um carro danificado é exibido diante de uma multidão com a legenda: "Chapado. Virou carrinho de bate-bate". Há ainda imagens de um buggy realizando manobras em alta velocidade ao redor de outro veículo.
De acordo com a prefeitura, as publicações tinham como objetivo aumentar o engajamento e a monetização das redes sociais do influenciador.
O município também levantou a suspeita de que ele utilizasse a visibilidade para comercializar rifas ou cotas de veículos, embora essa acusação tenha sido contestada pela defesa.
A administração municipal afirmou que as gravações eram realizadas, principalmente, durante períodos de grande movimento turístico, o que aumentava os riscos à população e exigia reforço constante das equipes de segurança e saúde.
Segundo a Folha, além da indenização, a decisão judicial proíbe Maykon Santos de convocar, promover ou incentivar, por qualquer meio, eventos que envolvam direção perigosa em vias públicas.
Ao analisar o caso, a desembargadora Flora Tossi Silva, relatora do processo, entendeu que o influenciador estimulou práticas capazes de colocar em risco a integridade física de terceiros.
Ainda de acordo com a Folha, o processo, Maykon Santos negou ter organizado ou incentivado rachas.
Segundo a defesa, os vídeos mostram apenas momentos de lazer entre amigos e registros de aglomerações que poderiam ter sido feitos por qualquer pessoa presente.
Os advogados também sustentaram que não há provas de que o influenciador tenha convocado seguidores para eventos ilegais ou utilizado suas redes sociais para promover rifas de veículos.
Em nota enviada à imprensa, o advogado Celso Varella afirmou discordar da decisão e disse que a condenação não encontra respaldo suficiente nas provas apresentadas. A defesa informou que recorrerá da sentença.
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