Polícia
O desaparecimento do jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico do Paraná, segue mobilizando equipes de resgate, autoridades e voluntários desde a madrugada de 1º de janeiro.
Apesar da ampla repercussão nas redes sociais, o caso ainda apresenta versões contraditórias e diversas lacunas sobre o que de fato aconteceu.
As operações de busca envolvem o Corpo de Bombeiros do Paraná, montanhistas experientes, voluntários e o apoio de helicópteros, devido ao terreno acidentado, à vegetação densa e às condições climáticas instáveis da região.
Considerada uma das ações mais complexas já realizadas no parque, a operação enfrenta desafios como altitude elevada, trilhas extensas e a possibilidade de o jovem ter seguido caminhos alternativos.
A pedido dos bombeiros, o Instituto Água e Terra (IAT) determinou a restrição temporária de acesso a parte do Parque Estadual Pico Paraná. Desde sábado (3), permanecem fechadas as trilhas dos morros Pico Paraná, Caratuva, Getúlio e Itapiroca, com o objetivo de garantir a segurança dos visitantes e evitar interferências nas buscas.
Não há, até o momento, previsão para o encerramento da operação.
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A Polícia Civil do Paraná instaurou investigação formal no sábado (3), após o registro de boletim de ocorrência feito pela família de Roberto. Segundo a corporação, não há indícios de crime até agora.
Familiares, montanhistas e pessoas que tiveram contato com o jovem ao longo do percurso já prestaram depoimento, e as versões estão sendo cruzadas com informações obtidas pelas equipes de resgate.
Roberto estava acompanhado de Thayane Smith, também de 19 anos, com quem se encontrou em 31 de dezembro, em um terminal de ônibus de Curitiba. Os dois haviam se conhecido há poucas semanas e decidiram passar o Réveillon no Pico do Paraná para assistir ao nascer do sol de 2026 no topo da montanha.
Eles montaram acampamento no ponto conhecido como A1. De acordo com o relato inicial de Thayane, por volta das 3h do dia 1º, ela, Roberto e um terceiro trilheiro iniciaram a subida ao cume durante a madrugada, sem mochilas ou equipamentos pesados, prática comum entre trilheiros experientes.
Durante a descida, Roberto teria ficado para trás após relatar cansaço e não conseguiu acompanhar o grupo. Mesmo alertada para não deixá-lo sozinho, Thayane retornou ao acampamento base. Outros trilheiros teriam voltado ao local para procurá-lo, sem sucesso.
Desde então, Thayane passou a ser alvo de críticas e ataques nas redes sociais. Em vídeos publicados por ela antes do desaparecimento, milhares de comentários foram registrados, muitos com tom ofensivo.
A jovem afirma possuir registros de toda a trilha e diz que só divulgará a versão completa após o encerramento das investigações.
O caso ganhou novos desdobramentos após o atleta e corredor de montanha Leandro Pierroti, que participou voluntariamente das buscas, divulgar um vídeo com outra interpretação dos fatos. Segundo ele, a separação entre Roberto e Thayane ocorreu em um trecho de pedras durante a descida.
Pierroti afirma que Thayane seguiu à frente acompanhada de dois corredores de montanha, enquanto um terceiro atleta permaneceu atrás de Roberto. Essa versão, segundo ele, foi confirmada pelos próprios envolvidos.
O montanhista também contesta a informação de que Roberto estivesse passando mal, afirmando que o jovem demonstrava apenas cansaço.
Ainda de acordo com Pierroti, o celular de Roberto teria molhado durante a virada do ano e, por isso, foi deixado guardado na barraca montada no acampamento A1.
Roberto tinha 19 anos e era descrito por amigos e familiares como ativo, sociável e habituado a desafios físicos. Estudante de Administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR), conciliava os estudos com o trabalho como técnico de segurança do trabalho.
Nas redes sociais, ele se apresentava como bombeiro civil, socorrista resgatista e consultor financeiro, definindo-se como alguém “multifacetado”, com interesse em atividades ligadas à área de segurança, resgate e desempenho físico.
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