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Mais de 15 mil celulares roubados: passageiros estão seguros no metrô de SP?

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Relatos de passageiros e dados oficiais ajudam a entender como está a segurança no metrô de SP diante de furtos e da atenção constante  |   BNews SP - Divulgação Foto: Divulgação/ Metrô
Nathalia Quiereguini

por Nathalia Quiereguini

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Publicado em 05/03/2026, às 15h00



A rotina de milhões de passageiros que utilizam o metrô da capital paulista todos os dias traz um debate constante: o transporte é seguro? Entre relatos de quem vive essa realidade diariamente e dados oficiais, o cenário mostra avanços em alguns aspectos e desafios persistentes em outros.

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Passageiros circulam em estação do metrô de São Paulo; sistema transporta milhões de pessoas todos os dias / Foto: Divulgação/ Metrô

Percepção dos passageiros: cuidados e inseguranças do dia a dia

Para quem circula pelas estações todos os dias, a segurança é um assunto presente em cada viagem.

A psicóloga Vitória, 24 anos, relata que utiliza o metrô diariamente e que, especialmente para mulheres, a sensação de vulnerabilidade ainda é forte. “Para mulheres, a segurança é quase zero, principalmente nos horários de pico”, afirma, lembrando a necessidade de atenção constante.

Regina, 43 anos e diarista, apesar de também se deslocar pelo metrô todos os dias, tem uma visão um pouco mais otimista, especialmente fora dos horários de maior movimento.

A estratégia dela é simples e prática: manter os objetos próximos ao corpo e redobrar a atenção com celulares e bolsas, mesmo reconhecendo que há margem para melhorias.

Entre os usuários mais experientes, como José Milton, 86 anos e professor aposentado, a percepção se mistura com cautela. “Pelo movimento que eu vejo, a segurança é boa. Não vejo nada de anormal acontecendo, mas ainda assim é preciso tomar cuidado”, diz, ilustrando como a experiência e o olhar atento também influenciam a sensação de proteção.

Esses relatos refletem um aspecto importante: embora muitos passageiros percebam uma estrutura de segurança em funcionamento, com policiamento e câmeras, a sensação de vulnerabilidade ainda acompanha a rotina de quem depende do transporte todos os dias.

Dados oficiais: furtos e roubos ainda se concentram no metrô

Os números mais recentes disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, a cidade registrou mais de 15 mil furtos e roubos de celulares no transporte público, com uma média de 46 casos por dia.

A grande maioria desses incidentes, cerca de 14.609 ocorrências, aconteceu em trens e metrôs, refletindo a concentração desse tipo de crime nesses ambientes.

A maior parte (89%) corresponde a furtos, quando a vítima nem percebe o momento do crime, e apenas uma pequena fração tem retorno do aparelho às mãos do dono.

Além disso, esses crimes tendem a se concentrar em áreas de grande circulação de passageiros, com estações como Luz, Sé e Barra Funda destacando-se como pontos com maior incidência de casos relatados.

Levantamentos também mostram que o entorno das estações enfrenta desafios próprios: nos dois primeiros meses de 2025, foram registrados mais de 4 mil casos de furto, roubo ou lesão corporal nas ruas e avenidas próximas às estações de metrô, o que representa cerca de 70 crimes por dia nesses arredores movimentados.

Esses números mostram que, mesmo com melhorias e investimentos em políticas de segurança pública, ainda há pontos críticos que impactam a sensação de proteção de quem usa o transporte diariamente.

Contexto maior: queda de alguns crimes e aumento de furtos

Quando olhamos para o cenário mais amplo da segurança pública em São Paulo, os dados apontam para uma tendência positiva em crimes mais violentos e roubos gerais, mas uma persistência do crime oportunista de furtos.

Segundo dados oficiais, em janeiro de 2026 o estado registrou o menor número de roubos da série histórica, com declínio também em outras categorias como roubo de veículos e roubo de cargas, reflexo de ações integradas de policiamento e inteligência.

Por outro lado, furtos, que incluem crime oportunista como roubo de celulares, ainda se mantêm em patamares altos e, em alguns períodos, até tiveram crescimento na capital paulista.

Isso sugere que, enquanto ações de combate a crimes violentos e organizados têm dado resultados, desafios relacionados a crimes de oportunidade em ambientes urbanos densos, como estações de metrô, continuam presentes.

Estratégias de segurança e o que está sendo feito

Autoridades afirmam que o uso de monitoramento por câmeras, policiamento intensificado e campanhas de conscientização do passageiro fazem parte das ações para tornar o sistema mais seguro.

Isso inclui a atuação conjunta da Polícia Militar em horários e áreas mais críticas, além de investimentos em tecnologia voltada à prevenção de crimes no transporte.

Especialistas em segurança urbana reforçam, porém, que tecnologia e policiamento precisam caminhar lado a lado para gerar uma sensação de segurança real, e que essa percepção está diretamente ligada ao cotidiano dos passageiros, algo que os números nem sempre captam por completo.

A segurança no metrô de São Paulo é um tema com múltiplas camadas. Enquanto muitos passageiros relatam experiências tranquilas em suas viagens, os números mostram que furtos e roubos de itens como celulares ainda são frequentes, especialmente em estações e trens com grande fluxo.

Ao mesmo tempo, índices mais amplos de violência e roubos na cidade apresentam tendência de queda, resultado de ações integradas das forças de segurança.

No fim das contas, o cenário que se desenha é complexo: a segurança melhorou em vários aspectos nos últimos anos, mas ainda existem desafios, sobretudo relacionados a crimes de oportunidade, que afetam diretamente a sensação de proteção de quem utiliza diariamente o sistema metroferroviário.

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