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Morte de ciclista expõe rede de roubos e comércio ilegal de ouro em SP

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A morte de Vitor Medrado em assalto impulsiona investigações sobre uma rede de receptação de ouro em São Paulo  |   BNews SP - Divulgação Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Tatiana Ribeiro

por Tatiana Ribeiro

Publicado em 24/08/2026, às 10h41



A morte do ciclista Vitor Felisberto Medrado, assassinado durante um assalto em fevereiro de 2025, tornou-se um dos pontos de partida para uma investigação que revelou uma complexa rede de roubo, receptação e comercialização clandestina de ouro em São Paulo.

Mais de um ano após o crime, a Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (24) a segunda fase da Operação Ouro Reverso, com o objetivo de atingir os diferentes elos da cadeia que, segundo os investigadores, transforma joias roubadas em dinheiro e utiliza os recursos para financiar novos crimes.

A operação é realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e cumpre mandados na capital paulista e em Guarulhos. A investigação aponta que o mercado clandestino de ouro teria papel importante na sustentação de quadrilhas especializadas no roubo de alianças e outras joias, muitas vezes abordando vítimas em vias públicas.

O caso de Vitor ajudou a expor justamente essa dinâmica. O ciclista foi morto na manhã de 13 de fevereiro de 2025, nas proximidades do Parque do Povo, no Itaim Bibi, região nobre da Zona Oeste de São Paulo.


O assassinato de Vitor Medrado


Vitor estava na região para praticar ciclismo quando foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta. Imagens de câmeras de segurança registraram a abordagem por volta das 6h12.

Nas imagens, o ciclista aparece parado e mexendo no celular quando a motocicleta se aproxima. Um dos criminosos, que estava na garupa, desce e atira contra Vitor antes mesmo de pegar o aparelho.

O disparo atingiu o pescoço do ciclista. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O assassinato provocou grande repercussão entre ciclistas e moradores da região e passou a ser investigado pela Polícia Civil. Durante o avanço das apurações, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa que estaria envolvida não apenas na execução dos roubos, mas também na compra, processamento e comercialização dos objetos levados das vítimas.

Entre os nomes identificados na investigação está Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Crime”. Segundo a polícia, ela teria exercido papel de liderança na organização e seria responsável por comandar, facilitar e financiar ações criminosas realizadas em diferentes pontos da capital.

Suedna também é apontada pelos investigadores como suspeita de envolvimento no grupo relacionado à morte de Vitor.


Investigação chegou à cadeia do ouro


A partir das informações reunidas durante a investigação do assassinato, a Polícia Civil passou a rastrear o caminho percorrido pelas joias roubadas. O objetivo era descobrir não apenas quem executava os assaltos, mas também quem comprava os objetos, quem transformava as peças e como o ouro retornava ao mercado.

A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi realizada em maio de 2025. Na ocasião, os policiais prenderam Rony Gonçalves, apontado como um dos principais negociadores de objetos de ouro roubados na capital paulista.

Segundo a investigação, Gonçalves integraria o esquema associado a Suedna. A análise dos materiais apreendidos durante aquela etapa permitiu aos investigadores ampliar o mapeamento das conexões entre assaltantes, intermediários, comerciantes e responsáveis pelo processamento do ouro.

Queda nos roubos de alianças


O combate à cadeia de receptação ocorre em um cenário de redução dos registros desse tipo de crime. Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam que os roubos de alianças na capital caíram 12,5% entre janeiro e maio de 2026.

Foram registradas 2.192 ocorrências no período, contra 2.505 nos cinco primeiros meses de 2025. No primeiro semestre de 2026, o estado de São Paulo contabilizou cerca de 195,5 mil roubos e furtos de alianças, segundo os dados apresentados pela SSP, ante aproximadamente 257,5 mil no mesmo período do ano anterior.

A redução é atribuída, entre outros fatores, à intensificação do policiamento em regiões com maior incidência e ao avanço das investigações contra receptadores e organizações responsáveis por comprar, derreter e revender o ouro.

“O combate ao roubo de alianças passa pelo enfrentamento da receptação”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo ele, as ações policiais buscam atingir não apenas os autores dos roubos, mas toda a cadeia responsável por financiar e dar continuidade ao mercado ilegal.

Vitor deixou legado no ciclismo


A história de Vitor, porém, vai além das circunstâncias de sua morte. Mineiro, ele era um ciclista experiente e mantinha uma empresa de assessoria esportiva voltada ao treinamento e acompanhamento de praticantes da modalidade.

Ele também teve trajetória como atleta da equipe de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Em 2013, conquistou a medalha de ouro nos Jogos Regionais de São Paulo na prova de velocidade por equipes. Após ser morto, Vitor foi enterrado em Minas Gerais, seu estado natal.

O assassinato ocorrido nas primeiras horas da manhã, em uma região frequentada por ciclistas, transformou o caso em símbolo da preocupação com a segurança de quem pratica o esporte nas ruas da capital.

A investigação que se seguiu, entretanto, revelou uma dimensão mais ampla do crime: a existência de uma cadeia que conecta os assaltos praticados nas ruas ao mercado clandestino de ouro.

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