Polícia
por Marcela Guimarães
Publicado em 09/02/2026, às 15h02
O delegado responsável pela apuração da morte da professora que passou mal após uma aula de natação em uma academia da zona leste de São Paulo afirmou, no último domingo (8), que a manutenção da piscina era feita por um manobrista da própria empresa.
De acordo com Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial (DP), a principal linha de investigação aponta para uma possível mistura inadequada de produtos químicos, que teria provocado uma reação capaz de liberar gases tóxicos no ambiente, intoxicando alunos e demais frequentadores do local.
Segundo o delegado, a inalação desses gases pode ter causado danos graves às vias respiratórias das vítimas.
“Esse gás tóxico provocou asfixia nas pessoas que ali estavam, via a queima das vias aéreas, gerando bolhas no pulmão das vítimas. Nós estamos tentando entender direitinho qual foi o produto que foi usado e qual a proporção da mistura”, explicou Bento.
A investigação passa por obstáculos por conta da ausência de informações fornecidas pela C4 Gym.
“A grande dificuldade foi que não houve colaboração nenhuma da empresa. Como os empresários não apareceram e não deram satisfação, a gente não consegue entender [a mistura que foi feita]. Não localizamos o manobrista que seria responsável pela lavagem da piscina, seria a pessoa que faz a mistura dos produtos”, completou o delegado.
Ainda segundo ele, o funcionário seguia desaparecido até aquele momento. “A gente está tentando localizar esse manobrista limpador de piscina para identificar os produtos que ele utilizou e a proporção desses produtos”, afirmou.
O delegado classificou o caso como extremamente delicado. “O local está interditado pela Vigilância Sanitária. Os bombeiros e os profissionais entraram no local com equipamentos de proteção. Foram abertas todas as janelas para dissipar os gases, mas é cedo ainda para dizer o que causou essa intoxicação”, disse.
Em nota oficial, a Subprefeitura Vila Prudente informou que a academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, foi interditada de forma preventiva.
O pai da professora contou à TV Globo que a médica responsável pelo atendimento informou que o produto químico utilizado na piscina atingiu parte do pulmão da filha e também do marido dela, Vinicius de Oliveira.
“Essa justiça deve ser feita não para termos de valor, a gente não quer saber de nada, é para não acontecer com mais ninguém. Porque o que aconteceu aí pode acontecer futuramente com alguém… Pelo que fiquei sabendo, [usaram] ozônio, que é muito forte dependendo da quantidade e dosagem”, disse o pai de Juliana Bassetto.
Ângelo Bassetto ainda relatou que conseguiu ver a filha com vida no hospital, mas em estado crítico. Ela apresentava grande dificuldade respiratória, teve o quadro agravado e acabou sofrendo uma parada cardíaca.
Segundo ele, o marido de Juliana também sentiu os efeitos imediatamente ao entrar na piscina.
“O Vinicius disse que, quando ele pulou, já sentiu o pulmão. Quando ele subiu, tentou avisar a Juliana, mas ela já tinha pulado e já levantou muito mal. A médica do hospital disse que ela estava com muita água no pulmão. Queimou muito ela por dentro”, afirmou o sogro.
A Polícia Civil de São Paulo segue apurando as causas da morte e apreendeu amostras da água da piscina, além dos produtos químicos utilizados na academia.
O marido da professora permanece internado em estado grave e precisou ser entubado.
Um adolescente de 14 anos também segue hospitalizado após usar a mesma piscina. Outras duas pessoas receberam atendimento médico e foram liberadas.
O velório de Juliana estava previsto para a manhã desta segunda-feira (9), às 8h, no Jardim Avelino, em São Paulo. O sepultamento ocorreu às 14h, no Cemitério Quarta Parada.
Em comunicado, a C4 Gym informou que tomou providências imediatas após o ocorrido: “Assim que tomamos conhecimento do ocorrido, interrompemos imediatamente as atividades da piscina, acionamos o socorro e seguimos todas as orientações das autoridades competentes”.
A nota também afirma que a empresa está colaborando com as investigações. “Estamos conduzindo uma rigorosa apuração interna e também colaborando com as autoridades competentes e com a investigação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência junto aos nossos clientes, colaboradores, parceiros e autoridades”.
Por fim, a C4 Gym declarou que, em sinal de respeito e luto, as unidades próprias, na cidade de São Paulo, seguirão fechadas hoje (9).
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