Polícia
por Andrezza Souza
Publicado em 08/07/2026, às 08h00
A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, ganhou novos desdobramentos. A Polícia Civil concluiu o inquérito e apontou uma série de falhas operacionais, além de suspeitas de tentativa de ocultação de provas após o acidente.
Ao todo, quatro pessoas foram indiciadas por homicídio com dolo eventual, quando se entende que os investigados assumiram o risco de provocar a morte. Uma das responsáveis pelo grupo também foi indiciada por fraude processual.
Um dos principais pontos do inquérito envolve o desaparecimento da câmera de ação utilizada por Maria Eduarda durante o salto.
Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a responsável pela equipe Entrecordas, Evelyne dos Santos, teria orientado integrantes do grupo a recuperar a câmera GoPro da vítima e apagar as imagens gravadas no momento do acidente.
Um dos funcionários afirmou ter recebido a ordem logo após a queda.
"Ela falou: 'Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo'", declarou em depoimento.
Além desse relato, três testemunhas disseram ter visto alguém retirar a câmera do corpo da jovem logo após o acidente. Até o momento, o equipamento não foi localizado.
A suspeita levou a Polícia Civil a indiciar Evelyne também pelo crime de fraude processual.
As investigações também revelaram que um acidente semelhante ocorreu cerca de três meses antes da morte de Maria Eduarda.
Na ocasião, um menino de 9 anos sofreu uma queda durante um salto realizado pela mesma equipe, após uma falha no sistema de freio utilizado na atividade.
Segundo testemunhas, a criança chegou a atingir o solo e sofreu escoriações. Mesmo após o episódio, o grupo continuou promovendo os saltos na chamada Ponte do Esqueleto, em Limeira.
Para os investigadores, o acidente anterior deveria ter servido como alerta sobre os riscos da operação.
Dois integrantes da equipe, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, admitiram em depoimento que eram responsáveis por verificar se Maria Eduarda estava corretamente presa à corda de segurança antes do salto.
Apesar disso, ambos disseram não saber explicar por que a conferência não foi realizada.
No relatório final, a Polícia Civil afirma que a operação apresentava "significativa desorganização operacional", além de ausência de isolamento adequado da área e realização de um grande número de saltos em curto intervalo de tempo, fatores que, segundo os investigadores, aumentavam o risco de falhas humanas.
Ainda conforme o inquérito, o grupo realizava a atividade havia mais de um ano sem registro formal de empresa.
Maria Eduarda morreu no dia 13 de junho, após ser lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar conectada à corda de segurança do rope jump.
Imagens registradas no momento do acidente mostram pessoas gritando ao perceberem que a jovem havia sido lançada sem o equipamento preso ao corpo.
Ela chegou a ser socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu no local.
Após o acidente, seis pessoas foram presas inicialmente. Com o avanço das investigações, duas delas tiveram as prisões revogadas.
O acesso à Ponte do Esqueleto foi bloqueado pelas autoridades com cercas, valas e placas de aviso para impedir a entrada de novos frequentadores.
As defesas dos investigados contestam o indiciamento. Os advogados afirmam que apresentarão suas teses durante o andamento do processo e discordam da conclusão da Polícia Civil de que houve dolo eventual.
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