Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 29/08/2026, às 17h30
Uma mulher trans de 33 anos foi encontrada morta com sinais de violência em um terreno baldio no Guarujá, no litoral de São Paulo.
Identificada como Kayra Kamilly, a vítima estava em estado de decomposição. Até o momento, ninguém foi preso.
O corpo foi encontrado por policiais militares na tarde de quinta-feira (27), em um terreno localizado na Rua Cláudio dos Santos. Os agentes acessaram o local por uma abertura no muro, próxima a um portão de madeira.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais sentiram um forte odor ao entrar no terreno e localizaram o cadáver. A vítima apresentava uma lesão na região da cabeça, descrita como compatível com esmagamento.
Os policiais não encontraram documentos de identificação ou outros objetos junto ao corpo. A perícia foi acionada e realizou os trabalhos no local, segundo o g1.
Agentes da 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Investigações Criminais (Deic) também estiveram na área e são responsáveis pela investigação.
O corpo foi removido pelo serviço funerário, e o caso foi registrado como homicídio na Delegacia de Polícia do Guarujá.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as diligências continuam para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar o responsável pelo crime.
O caso ocorre em um estado que concentra o maior número de assassinatos de pessoas trans registrados historicamente no país.
Segundo o Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2025, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), São Paulo acumulou 155 mortes de pessoas trans entre 2017 e 2025, o maior número entre os estados brasileiros no período.
De acordo com o levantamento, travestis e mulheres trans representaram 97% das vítimas identificadas em todo o país em 2025.
Os dados estaduais, porém, reúnem as diferentes identidades trans mapeadas pela organização e não permitem atribuir automaticamente todas as mortes a uma única identidade de gênero.
O relatório também aponta uma queda expressiva no número de assassinatos registrados em São Paulo em 2025. Foram quatro casos, contra 16 no ano anterior.
A Antra, no entanto, recomenda cautela na interpretação desses números.
Segundo a entidade, a redução pode estar relacionada a fatores como aumento da subnotificação, medo que reduz a circulação de pessoas trans em espaços públicos e dificuldades crescentes para o monitoramento independente dos casos.
Dessa forma, a diminuição dos registros não deve ser interpretada isoladamente como uma melhora estrutural nas condições de segurança da população trans.
O caso de Kayra Kamilly será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar a dinâmica do homicídio, a autoria e a possível motivação do crime.
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