Polícia
As investigações sobre a morte do cão Orelha ganharam novos contornos após a divulgação de informações detalhadas pelas autoridades policiais em Florianópolis.
Em coletiva de imprensa, delegados responsáveis pelo caso apresentaram elementos que ampliam o entendimento sobre a atuação de um grupo de quatro adolescentes na região da Praia Brava.
Os relatos revelaram um padrão de comportamento que vai além de um único episódio, envolvendo outros animais e também pessoas.
Segundo a Polícia Civil, o ataque contra Orelha ocorreu durante a madrugada do dia 4 de janeiro. O animal foi encontrado no dia seguinte em estado grave, agonizando, e chegou a ser socorrido com vida.
Apesar das tentativas da equipe veterinária, ele não resistiu aos ferimentos. O laudo técnico foi decisivo para esclarecer a dinâmica da agressão, apontando que a causa da morte foi um golpe contundente na cabeça.
De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, o exame veterinário indicou lesões compatíveis com o uso de um objeto duro, como um pedaço de madeira, uma garrafa ou instrumento semelhante.
A morte ocorreu em decorrência do impacto, durante os procedimentos de emergência. Esse resultado afastou dúvidas iniciais e reforçou a linha de investigação, mesmo sem a existência de imagens do momento da agressão.
A delegada também esclareceu que não há vídeo que registre o ataque ao cão Orelha. A informação, amplamente divulgada nas redes sociais, não procede.
O que existiu foi uma fotografia tirada por um porteiro para auxiliar na identificação dos jovens, mas o material foi posteriormente apagado. Ainda assim, a polícia destaca que há outros meios de prova em análise.
As apurações indicam que Orelha não foi o único alvo do grupo. Na noite seguinte ao crime, outro cachorro, conhecido como caramelo, também teria sido agredido pelos adolescentes.
Imagens e depoimentos mostram que o animal foi carregado no colo e arremessado ao mar. Felizmente, o cão sobreviveu e hoje está em segurança, tendo sido adotado por um dos delegados envolvidos no caso.
Além dos maus tratos a animais, a investigação identificou ocorrências envolvendo crimes contra pessoas da região. Porteiros e trabalhadores que faziam rondas noturnas relataram ofensas, furtos de bebidas alcoólicas e atos de depredação de patrimônio público. Esses episódios reforçam a tese de uma sequência de ações violentas concentradas em um mesmo período.
Outro ponto relevante do inquérito envolve a tentativa de intimidação de uma testemunha. Três familiares dos adolescentes, dois empresários e um advogado, teriam coagido um porteiro que presenciou as agressões.
A tentativa de interferência nas investigações levou ao indiciamento dos adultos, embora eles não tenham sido presos até o momento, segundo o portal Bebê Mamãe.
O delegado geral Ulisses Gabriel explicou que os inquéritos seguem em andamento e que todos os fatos serão analisados de forma minuciosa. Ele também confirmou que dois dos adolescentes estão atualmente em viagem aos Estados Unidos, em uma excursão de formatura previamente organizada.
A polícia informou que prepara um esquema adequado para a chegada do grupo, garantindo segurança e evitando injustiças contra jovens que não têm relação com o caso.
As autoridades reforçam que a ausência de um vídeo não compromete a investigação. Depoimentos, imagens de câmeras de monitoramento e análises técnicas continuam sendo reunidos. O objetivo é assegurar que todas as responsabilidades sejam apuradas com rigor, respeitando o devido processo legal.
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